março 6, 2026
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06/03/2026

O Big Brother Brasil já foi, durante muitos anos, um fenômeno cultural

Isso tinha um nome por trás: Boninho, o Big Boss que entendia que reality show não é sobre moral, é sobre narrativa.

Havia conflito real, personagens imprevisíveis, estratégias caóticas e, principalmente, entretenimento. Isso tinha um nome por trás: Boninho, o Big Boss que entendia que reality show não é sobre moral, é sobre narrativa.

Naquela época, a escolha dos participantes era cirúrgica. Pessoas comuns, personalidades fortes, opiniões conflitantes e nenhuma preocupação em agradar militância, fandom ou “especialista de sofá”. O jogo se construía lá dentro — e não antes mesmo da estreia.
Mas algo se perdeu no caminho.

Do BBB 25 em diante, e agora escancarado no BBB 26, a queda de audiência não é acaso. Ela é sintoma. Hoje, os chamados “blogueiros especialistas em BBB” não analisam o jogo: eles induzem o público. Criam narrativas prontas, escolhem heróis antecipadamente e empurram favoritos desde o primeiro dia, condicionando os fãs a torcerem por quem eles determinam.

O caso de Ana Paula Renault é emblemático. Ela já entrou tratada como favorita por sites de fofoca e perfis “especializados”, sempre cercada de posts claramente tendenciosos, exaltando cada movimento como genial e relativizando qualquer erro. Antes mesmo do jogo acontecer, o enredo já estava escrito fora da casa.

Com isso, o público já entra no programa com o campeão escolhido. O jogo acaba antes de começar. Surge então a pergunta óbvia: pra que assistir, se o vencedor já foi decidido por blog, thread e post patrocinado de opinião?

O resultado é um reality previsível, pasteurizado e sem risco. Os participantes jogam para a câmera, têm mais medo do cancelamento aqui fora do que da eliminação lá dentro, e seguem cartilhas invisíveis para agradar quem controla a narrativa nas redes.
Reality sem imprevisibilidade não é reality.

É novela ruim sem roteiro.

Se a Globo não repensar profundamente o formato, o elenco e, principalmente, a lógica do jogo, o destino é claro: irrelevância. E há um detalhe decisivo nesse cenário — quando o novo reality do Boninho finalmente estrear, com a assinatura criativa que o consagrou, o BBB corre o sério risco de virar passado.

O Big Brother não está morrendo por falta de público.
Está morrendo por excesso de controle.
Ou a direção muda… ou o jogo acaba de vez.

Foto: Divulgação / Internet

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