março 3, 2026
março 3, 2026
03/03/2026

Paraty: patrimônio mundial preserva arquitetura colonial e belezas naturais no Rio

Paraty, situada no litoral sul do Rio de Janeiro, apresenta um padrão singular de urbanização. As ruas de pedras, que se elevam e se abaixam acompanhando o nível da maré, fazem parte de um projeto original do século XVIII, criado para que o mar auxiliasse na limpeza da cidade. Essa configuração histórica contribui para a preservação da estética colonial, que hoje atrai turistas e reconhecimentos internacionais.

Fundada em 1667 como Vila de Nossa Senhora dos Remédios, a cidade destacou-se inicialmente como um importante porto na exploração do ouro de Minas Gerais, conectando-se pelos tradicionais caminhos do trecho conhecido como Caminho do Ouro. Na época de maior prosperidade, a cidade contava com vários engenhos de cana-de-açúcar, tornando-se famosa pela produção de cachaça. Com o deslocamento de rotas comerciais, Paraty ficou isolada por cerca de um século, o que, inesperadamente, ajudou na conservação de seu traçado original. Em 1958, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) oficializou o tombamento do conjunto arquitetônico. Mais tarde, em 2019, o reconhecimento internacional veio com a nomeação de Patrimônio Mundial da UNESCO, que inclui uma área de quase 149 mil hectares, abrangendo unidades de conservação e comunidades tradicionais, sendo o primeiro sítio na América Latina a receber a distinção de patrimônio misto dessa categoria.

No centro histórico, as ruas de pedra restringem o acesso de veículos, criando um ambiente de preservação de seu ambiente colonial, com igrejas, ateliês, restaurantes e lojas de artesanato em casarões coloridos. Entre os pontos de destaque encontram-se a Igreja de Santa Rita (1722), que oferece uma vista privilegiada da baía e abriga o Museu de Arte Sacra; a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, localizada na praça principal; o Forte Defensor Perpétuo, construído no século XVIII, que hoje funciona como museu e proporciona uma vista panorâmica; e a Casa da Cultura, que apresenta exposições de artistas públicos da cidade.

Além do patrimônio arquitetônico, a região é marcada por praias e ilhas acessíveis por passeios de barco. Saindo do cais da Praia dos Anjos, é possível explorar mais de 90 praias e 60 ilhas, muitas delas em ambientes de Mata Atlântica ainda preservada. Destacam-se o Saco do Mamanguá, considerado o único fiorde tropical do planeta, ideal para atividades como canoagem, e Trindade, uma comunidade rústica a 25 km do centro, famosa por piscinas naturais e formações rochosas. Paraty também possui pontos tradicionais como a Praia Vermelha, conhecida por boas condições de mergulho, e a Cachoeira do Tobogã, acessível por uma estrada de aproximadamente sete quilômetros.

A gastronomia local, reconhecida pela UNESCO em 2017 como parte da Rede de Cidades Criativas na categoria de Gastronomia, reflete uma mistura de influências indígenas, africanas e caiçaras. Os ingredientes frescos do mar e da Mata Atlântica formam pratos tradicionais, como camarão com banana verde e peixe envolto em folha de bananeira. A cachaça artesanal, produzida desde o período colonial, é um símbolo da cultura local, com destilados que utilizam ingredientes como cravo, canela e melado de cana, podendo ser degustados em alambiques tradicionais.

A cidade mantém uma intensa agenda cultural, destacando-se eventos como a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), realizada em julho, e o Festival da Cachaça, nos meses de agosto. Além delas, há exposições, saraus e festivais de fotografia ao longo do ano. Quanto ao clima, a alta temporada ocorre entre junho e agosto, período com menor volume de chuvas, temperaturas amenas e condições ideais para as atividades ao ar livre, enquanto o verão apresenta temperaturas elevadas e maior índice de precipitação.

Para quem vem de Niterói, o percurso até Paraty tem aproximadamente 255 km e é realizado principalmente pela rodovia BR-101, com condições que oferecem vistas privilegiadas da Costa Verde. O trajeto de carro dura cerca de 3h30 e passa por diversos pontos de beleza natural. Alternativamente, há opções de transporte por ônibus a partir da rodoviária do Rio de Janeiro.

A história de Paraty revela que o isolamento foi vital para sua preservação, mantendo intacta sua arquitetura colonial, suas praias e áreas de Mata Atlântica. Hoje, o valor de seu patrimônio é reconhecido globalmente, incentivando a visita de quem busca compreender uma parte do Brasil que conseguiu assegurar suas raízes e seu charme ancestral.


Acompanhe o Ora Veja para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad