março 6, 2026
março 6, 2026
06/03/2026

MPF investiga práticas de tortura e riscos à saúde em BBB 26 após episódios convulsivos

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar possíveis violações de direitos humanos no programa Big Brother Brasil 26. A ação foi motivada por denúncias de práticas que podem configurar tortura ou tratamento desumano durante as gravações, especialmente relacionadas à dinâmica do “Quarto Branco”.

A investigação tem como foco principal relatos de episódios convulsivos de Henri Castelli, participante da edição atual, ocorridos em uma prova de resistência. Além disso, o MPF analisa a situação de outros participantes submetidos a condições consideradas perigosas ou degradantes, como o caso do participante Breno, isolado em uma área externa da casa. Segundo documentos do inquérito, expor os indivíduos a situações de risco para obter entretenimento pode ferir a dignidade humana.

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma carta ao MPF manifestando preocupação com o método do “Quarto Branco”. Na comunicação, a comissão comparou a técnica empregada — que, em janeiro de 2026, provocou desmaio de uma participante após mais de 100 horas de reclusão em espaço estreito, de difícil circulação — com práticas de tortura utilizadas em regimes autoritários latino-americanos.

O MPF destacou que a liberdade de produção de programas de televisão não autoriza a violação de direitos fundamentais. Como concessionária de serviço público, a emissora deve seguir princípios éticos e respeitar os valores sociais previstos na Constituição. A tutela contra torturas e tratamentos degradantes é considerada uma obrigação absoluta do Estado, e a normalização de sofrimentos como forma de entretenimento é vista como incompatível com os objetivos de uma sociedade justa e solidária.

A TV Globo, por sua vez, afirmou que oferece acompanhamento médico contínuo durante as atividades e que o participante Henri Castelli recebeu assistência hospitalar quando necessário, tendo sido encaminhado a unidades de saúde externa em duas ocasiões. Como primeiro passo na apuração, o MPF requisitou informações detalhadas à emissora sobre as medidas adotadas para garantir a segurança e o bem-estar dos participantes.


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