Na última sexta-feira, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a condenação de três homens envolvidos na morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, registrada em fevereiro de 2024 no centro da cidade. Os réus, que participaram de julgamento popular, foram considerados culpados por homicídio triplicemente qualificado e por estar em concurso de pessoas.
O crime apresentou agravantes como emboscada, uso de arma de fogo de uso restrito, emprego de meios que dificultaram a defesa da vítima, além de motivação considerada torpe e envolvimento com uma organização criminosa. Todos receberam a pena de 30 anos de prisão. Além disso, foi determinada a perda do cargo do policial militar Leandro Machado da Silva.
Durante o processo, as defesas apresentaram recursos contra a sentença, que ainda não possui data para ser analisada. A decisão do juiz ressaltou que há indícios de atuação de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções e regras internas, chegando a caracterizar um “estado paralelo” na região.
Conforme as investigações, Leandro Machado, conhecido como “Cara de Pedra,” teria sido responsável por providenciar os veículos usados no crime. Cezar Daniel Mondego, chamado de “Russo,” foi mencionado como o responsável por monitorar a vítima, enquanto Eduardo Sobreira de Moraes dirigiu o carro utilizado na perseguição, acompanhado por Mondego antes do homicídio.
Os suspeitos foram formalmente denunciados pelo Ministério Público em abril de 2024. Na ocasião, Leandro Machado foi afastado da Polícia Militar. As apurações apontam que os suspeitos se encontraram antes e após o assassinato, inclusive em áreas próximas ao batalhão onde Leandro trabalhava.
Investigações da Delegacia de Homicídios indicam que Rodrigo Crespo já era monitorado desde outubro de 2023. Celulares apreendidos com os suspeitos continham registros com as placas dos veículos utilizados, relacionados ao dia em que o advogado participou de uma festa em Ipanema.
Segundo o Ministério Público, os condenados tinham vínculos com uma organização criminosa sediada em Duque de Caxias, liderada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, atualmente preso em Cabo Frio. A motivação do crime estaria relacionada ao interesse do advogado em ingressar no mercado de apostas esportivas, especificamente na abertura de uma casa de apostas em Botafogo, uma área sob influência do grupo criminoso.
Durante o julgamento, Cezar Mondego apresentou uma versão diferente. Ele afirmou que seguiu Crespo após ser contratado por um homem que suspeitava de traição na esposa, alegando que o advogado teria um relacionamento com uma mulher casada. Ao ser questionado pelo Ministério Público, Mondego revelou que quem o contratou se chamaria Márcio, embora não soubesse o sobrenome nem tivesse contato atual com ele, pois teria apagado o número de seu celular.
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