Neste mês de comemoração pelo Dia Internacional da Mulher, a importância de histórias de resistência, superação e impacto social ganha destaque. Em São Gonçalo, quatro mulheres de áreas distintas têm se destacado por suas trajetórias, exemplificando como o protagonismo feminino contribui para a transformação comunitária, mesmo diante de desafios estruturais e sociais.
Estas mulheres atuam em diferentes setores, incluindo ciência, esportes, gestão em hospitalidade e saúde, cada uma desenvolvendo ações que fortalecem suas comunidades e inspiram outras. Suas histórias ilustram a diversidade de enfrentamentos e conquistas, refletindo a força existente na trajetória de mulheres que elevam suas atuações ao compromisso com seu entorno e o coletivo.
A trajetória de Bruna Batista da Silva, supervisora de Alimentos e Bebidas, exemplifica essa dedicação. Moradora de Zumbi, sua entrada na carreira se deu há cerca de 15 anos, após um curso profissionalizante em hotéis renomados do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, ela trabalhou em redes como Intercontinental, Marriott e Accor, atualmente liderando operações em várias unidades. Além do avanço profissional, ela cursa Administração na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e é mãe solo de um garoto de sete anos. Sua conquista do Prêmio Gastronomia Preta 2025 destacou sua trajetória, marcada pelo enfrentamento do racismo estrutural no setor e pelo desejo de ampliar oportunidades para profissionais negros na gastronomia.
Fátima Maria dos Santos, conhecida como Fátima Cidade, deixou sua carreira esportiva na década de 1970 para dedicar-se ao ativismo comunitário. Após enfrentar um relacionamento violento, retornou ao bairro Birapitanga, em Itaúna, onde participou de movimentos de combate à violência de gênero, inclusive presidindo associações de moradores. Atuação na área de saúde e estudos em Enfermagem aprofundaram seu trabalho na luta contra a violência obstétrica e pelos direitos das gestantes, consolidando sua presença em órgãos de representação municipal e estadual. Reconhecida por suas ações, ela também recebeu premiações e moções de reconhecimento, destacando sua trajetória de defesa dos direitos das mulheres.
Patrícia Dias Galvão Alves sempre demonstrou interesse pela ciência. Desde a infância, despertou fascínio por investigação, atividade que a levou a se destacar na formação acadêmica. Mestre em Ciências pela Fiocruz, ela pesquisa vírus zoonóticos na reserva do Parque Estadual da Pedra Branca, uma das maiores áreas de floresta urbana das Américas. Seu trabalho contribui para compreender a circulação de vírus em ambientes naturais, reforçando a importância da preservação ambiental para a saúde pública e o entendimento das conexões entre saúde humana, animal e ambiente. Patrícia incentiva outras mulheres a investirem na ciência, destacando o valor da persistência, mesmo diante de dificuldades, e convidando para maior representatividade feminina em posições de liderança.
Por fim, Patrícia Muniz, psicóloga e pesquisadora, utiliza suas experiências no Complexo do Salgueiro para fomentar o protagonismo de mulheres da periferia. Sua trajetória destaca a relevância de fortalecer a autoestima e a autonomia de mulheres através de ações comunitárias, promovendo a produção de conhecimento que evidencia as potencialidades dessas comunidades além dos estereótipos. Atualmente no doutorado, ela atua também no projeto Vozes Periféricas, que valoriza as histórias e a resistência das mulheres do território. Sua mensagem reforça o papel da educação e da persistência na luta por reconhecimento e espaço de fala na sociedade.
Estas histórias representam exemplos de como o esforço individual e a dedicação coletiva podem transformar realidades, reforçando o papel das mulheres na construção de comunidades mais justas e resilientes.
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