março 11, 2026
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11/03/2026

Desinformação sobre HPV aumenta risco de câncer do colo do útero, alerta especialistas

Apesar dos avanços na prevenção, o câncer de colo do útero ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil, devido à persistência de uma significativa desinformação sobre o tema. Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Locomotiva em parceria com o EVA Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos revelou que 42% das mulheres entre 18 e 45 anos não sabem se foram imunizadas contra o HPV ou se recordam dessa vacinação.

O vírus HPV, responsável por quase toda a incidência de câncer cervical, possui mais de 200 tipos, sendo os subtipos 16 e 18 os principais responsáveis por aproximadamente 70% dos casos. No país, o câncer de colo do útero ocupa a terceira posição entre os mais frequentes em mulheres e é uma das principais causas de mortalidade feminina por câncer.

Dentro do mês dedicado à conscientização, profissionais destacam a importância de informações corretas sobre vacinação, prevenção e diagnóstico precoce. No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece imunização gratuita para adolescentes de 9 a 14 anos, período considerado ideal, mas a vacinação também é recomendada para mulheres até os 45 anos, especialmente em contextos privados, com acompanhamento médico.

Segundo a infectologista Luísa Chebabo, mesmo quem não foi vacinado na adolescência deve procurar a imunização na rede privada, sempre sob orientação de um profissional de saúde. A ginecologista Aparecida Monteiro reforça que a infecção pelo HPV é bastante comum, e na maioria das pessoas a infecção é eliminada naturalmente, mas o risco de persistência pode levar ao desenvolvimento de alterações celulares que evoluem para câncer.

A eficácia da vacina é consolidada por estudos internacionais, que demonstram redução significativa nas infecções e lesões precursoras do câncer cervical desde a sua implementação há mais de 15 anos. Pesquisas recentes indicam que uma única dose da imunização pode oferecer até 97% de proteção contra os tipos de HPV mais associados à doença.

Apesar dos avanços na vacinação, o exame preventivo continua sendo indispensável. A realização periódica do Papanicolau permite detectar alterações celulares em estágios iniciais, facilitando tratamentos preventivos antes do desenvolvimento de câncer. Especialistas destacam que a imunização complementa, mas não substitui, o acompanhamento ginecológico regular.

Embora o câncer cervical seja uma enfermidade que afeta majoritariamente as mulheres, a prevenção também inclui o combate ao HPV em homens. O vírus pode causar verrugas genitais e vários tipos de câncer, incluindo de pênis, ânus e região de orofaringe, além de ser transmitido por homens assintomáticos. Assim, ampliar a vacinação masculina é considerado estratégico para diminuir a circulação do vírus na sociedade.

No contexto das ações do Março Lilás, profissionais reforçam a necessidade de disseminar informações corretas, estimular a vacinação e promover a realização de exames de rotina, como estratégias essenciais para reduzir o impacto de um câncer que, muitas vezes, pode ser evitado por medidas simples de prevenção.


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