Nesta quarta-feira, a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), aliado do prefeito do Rio de Janeiro, marcou um momento de crescente tensão entre os governos municipal e estadual na cidade. A operação, conduzida pela Polícia Civil, investiga lavagem de dinheiro e apoio ao tráfico na comunidade da Gardênia Azul, envolvendo negociações de campanha em troca de instalações comerciais na região controlada por facções criminosas.
O episódio ocorre numa semana marcada por ações da Polícia Federal voltadas a figuras do governo estadual e policiais militares suspeitos de ligação com o Comando Vermelho. As intervenções, realizadas por forças subordinadas a diferentes esferas de autoridade, revelam um cenário de disputa política que se intensifica em meio às próximas eleições estaduais. Enquanto o governo de Cláudio Castro prioriza a pauta de segurança pública, investigações apontam possíveis vínculos de aliados com o crime organizado, enfraquecendo sua argumentação nesse setor.
Salvino Oliveira, que atuou como secretário da Juventude por dois anos na gestão de Paes, foi detido suspeito de facilitar atividades ilícitas ao permitir propaganda eleitoral na região controlada por traficantes. Logo após a prisão, o governador retirou suas críticas à gestão municipal, aproveitando o momento para acusar Salvino de agir em favor do crime organizado, ressaltando uma suposta infiltração de criminosos na administração da cidade ao longo do tempo. Castro também afirmou que organizações criminosas teriam tentado infiltrar-se na administração municipal.
A resposta do prefeito foi de forte condenação às declarações do governador, alegando que a operação poderia estar sendo utilizada para fins políticos. Paes criticou a postura de Castro, descrevendo suas operações como omissas e coniventes com o crime, e sugeriu um caráter eleitoral às ações policiais. Segundo ele, a ausência de manifestações do governador diante das investigações que envolvem aliados reforça a percepção de conivência.
Recentemente, o Rio tem assistido a uma série de operações policiais voltadas a combater conexões entre agentes públicos e criminosos. Na semana atual, a Polícia Federal realizou ações contra policiais militares acusados de colaborar com milícias e tráfico de drogas, além de prender um delegado e averiguar outros agentes por extorsão. Essas ações fazem parte de uma estratégia de combate às ligações entre o Estado e o crime, determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
O clima de tensão se configura como uma variável importante na disputa eleitoral para o governo do estado em 2026. Castro prioriza a segurança pública em sua campanha, mas os recentes desdobramentos põem em dúvida sua postura de combate ao crime, dada a ligação de alguns de seus apoiadores com organizações criminosas. Por outro lado, Paes busca explorar essas questões na tentativa de fortalecer suas críticas ao governo estadual, alegando interesses políticos por trás das operações.
Salvino Oliveira, por sua vez, negou as acusações e criticou o uso da polícia com fins eleitorais. Em nota, afirmou que o governador estaria tentando intimidar seus adversários, além de contestar a veracidade de imagens relacionadas à apreensão de dinheiro publicadas pelo governador. Sua defesa já está tomando providências judiciais contra as declarações feitas na ocasião. O episódio reforça o cenário de disputa política no estado, que envolve diferentes grupos e o futuro da administração pública na cidade.
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