março 17, 2026
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17/03/2026

Projeto de renovação no Catumbi prevê demolir Viaduto 31 de março e transformar área urbana

O Viaduto 31 de Março, que conecta o Túnel Santa Bárbara à Área Portuária, faz parte do projeto de expansão do sistema de transporte urbano na cidade do Rio de Janeiro, concebido na década de 1960 pelo urbanista Doxiadis. Sua construção, associada às políticas voltadas ao automóvel, resultou em deslocamento de moradores e fragmentação do bairro do Catumbi, causando impactos sociais e urbanísticos duradouros. A implementação da estrutura demandou a demolição de diversas residências e estabelecimentos comerciais, alterando significativamente o tecido urbano local e gerando áreas degradadas e inseguras na região.

No início dos anos 1980, o bairro foi novamente afetado com a construção do Sambódromo, durante o governo de Leonel Brizola, quando muitas casas populares próximas à futura sede dos desfiles de samba foram demolidas. Essa intervenção agravou o isolamento do bairro, deixando apenas o nome de uma rua, remanescente das demolições.

Na década de 2010, o projeto de adaptação do Sambódromo para as Olimpíadas levou à remoção do tombamento da estrutura e de áreas ao seu redor, incluindo a antiga Cervejaria Brahma, um ícone cultural do bairro. A demolição da fábrica, que poderia ter sido reaproveitada como espaço cultural, foi autorizada pelo então prefeito Eduardo Paes, aumentando o impacto sobre o patrimônio e a história local.

Atualmente, o bairro do Catumbi passa por uma nova fase de renovação urbana. Um projeto em debate propõe a substituição do Viaduto 31 de Março por edifícios e espaços públicos, impulsionado pelo estímulo de venda de potencial construtivo na área. A estratégia remete ao modelo adotado na Área Portuária, embora o programa tenha sido marcado por resultados insatisfatórios, com grande parte das áreas permanecendo subutilizadas e diversos certificados de potencial permanecendo sem utilização, gerando prejuízo à administração pública. Os moradores de baixa renda, que resistem na região, tendem a ser deslocados em benefício de um perfil de novos habitantes de alto padrão, que irão ocupar edifícios voltados ao mercado de locações de alta rotatividade.

O nome do bairro, associado ao termo “Catumbi”, será substituído pelo da Praça Onze, uma referência à praça situada na proximidade. Essa mudança simboliza o processo de transformação urbanística que, ao longo dos anos, tem levado ao extermínio das memórias e identidades originais do local. A remoção do elevado, considerada uma tentativa de reconectar as partes do bairro separadas pelo viaduto, ainda mantém o Sambódromo como elemento cortante no tecido urbano, sem uma alternativa clara de ligação viária com a Área Portuária, potencialmente aumentando o isolamento do setor.

Projetos de renovação como o “Praça Onze Maravilha” têm sido implementados sem a realização de concursos públicos de ideias, o que gera preocupações entre grupos profissionais e órgãos de classe especializados em urbanismo, devido ao prolongamento das obras e ao impacto social. Embora possam vir a criar uma nova centralidade, essas intervenções tendem a ampliar o processo de descaracterização do bairro, afastando de vez a atmosfera tradicional e acessível que antes prevalecia no Catumbi.


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