março 14, 2026
março 14, 2026
14/03/2026

Pesquisa do Rio desenvolve dispositivo elétrico que reduz tremores em pacientes com Parkinson

Pesquisadores do Rio de Janeiro desenvolveram um dispositivo eletrônico capaz de diminuir tremores em pacientes com Doença de Parkinson e Tremor Essencial, oferecendo uma alternativa não invasiva ao tratamento tradicional. O equipamento utiliza estimulação elétrica aplicada à pele, controlada por um aplicativo, para reduzir os sintomas de forma segura e prática, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos.

O projeto, conduzido pelo Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ sob coordenação do professor Carlos Júlio Criollo, está em fase de testes clínicos no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Entre os pacientes que participam, Sebastião Félix dos Santos, de 66 anos, relata melhora significativa na condição após o uso do dispositivo, citando redução do tremor e maior facilidade para realizar tarefas cotidianas.

A proposta do dispositivo é oferecer uma alternativa acessível, capaz de ser utilizada em domicílio, graças à sua operação controlada por um smartphone. Cada uso é automaticamente registrado, transmitido a uma base segura por meio de tecnologias de telemedicina e internet das coisas (IoT), possibilitando acompanhamento remoto e ajustes personalizados pelos profissionais de saúde.

Intitulado Mestim Eléctrico, o equipamento conta com configurações de estimulação ajustáveis via conexão Wi-Fi, incluindo frequência, amplitude e duração dos estímulos. Diferentemente de outros dispositivos que usam ondas quadradas ou retangulares, este protótipo utiliza ondas senoidais, que promovem ativação mais seletiva das fibras nervosas relacionadas ao controle motor, aprimorando a eficácia e o conforto do tratamento.

A iniciativa também prevê a transferência tecnológica ao Sistema Único de Saúde (SUS), com a produção de dez novos protótipos para uso em unidades hospitalares públicas. De acordo com o coordenador do projeto, a intenção é ampliar o acesso à inovação científica e disponibilizar essa tecnologia à sociedade, além do ambiente acadêmico.

O projeto é sustentado por financiamento da Faperj e envolve uma colaboração entre diversos laboratórios da UFRJ, o Instituto de Neurologia Deolindo Couto, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, além de instituições internacionais, como a Universidade Politécnica Salesiana do Equador, e empresas do setor de equipamentos médicos.

Recentemente, a Faperj anunciou uma nova rodada de investimento de R$ 60 milhões em pesquisas estratégicas na área da saúde, incluindo estudos sobre envelhecimento, doenças crônicas, obesidade e pesquisa clínica em hospitais universitários do Rio de Janeiro. Este aporte faz parte de uma política de estímulo à inovação científica, que visa promover avanços na assistência médica e fortalecer o sistema público de saúde.


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