março 14, 2026
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14/03/2026

Ex-secretário do Rio é preso por suspeita de colaborar com o crime organizado

O ex-secretário estadual e municipal do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, foi preso em 2025 por suspeitas de envolvimento com o crime organizado. Ele é alvo de nova ação da Polícia Federal por supostamente atuar em favor do Comando Vermelho, vazando informações de operações policiais e usando contatos políticos para atender aos interesses da facção criminosa.

A trajetória de Carracena na administração pública teve início na esfera técnica, chegando a ocupar posições estratégicas em diferentes gestões. Durante o governo do ex-prefeito Marcelo Crivella, trabalhou como secretário de Ordem Pública, diretor de operações de autarquia municipal, presidente do Fundo de Ordem Pública e integrante do Gabinete de Crise durante a pandemia. Posteriormente, integrou o governo do estado na gestão do então governador Cláudio Castro, ocupando os cargos de secretário de Esporte e Lazer e posteriormente subsecretário de Defesa do Consumidor. Conhecido por sua relação de longa data com o atual secretário Gutemberg de Paula Fonseca, a trajetória dele era vista como de destaque técnico.

Entretanto, investigações revelam que Carracena teria utilizado sua influência para beneficiar forças criminosas. Segundo a Polícia Federal, ele teria divulgado informações que facilitaram operações do tráfico no Complexo do Alemão e influenciado decisões de segurança pública, como a retirada de uma base do Batalhão de Choque na Zona Oeste do Rio. Uma conversa interceptada em janeiro de 2024 aponta que ele teria agido como intermediário político de integrantes do crime, ao conversar com traficantes sobre a presença policial na região após contato com um deputado estadual.

Além dessas suspeitas, investigações indicam que Carracena estaria envolvido em ações para dificultar a extradição do traficante internacional Gerel Lusiano Palm. Em 2023, ele teria reunido-se em Brasília com a advogada do traficante e recebido uma quantia de R$ 120 mil para influenciar o processo, tendo outros intermediários também recebido valores. A apuração inclui ainda suspeitas de que ele teria recebido recursos por intermédio de um delegado da Polícia Federal.

Depois de sua prisão inicial em setembro de 2025, Carracena voltou a ser detido em fases subsequentes da Operação Anomalia, que investiga a infiltração do crime organizado em instituições públicas. Nesta fase, além dele, foram presos policiais militares, outro delegado, assessores políticos e membros da facção controladora. Segundo o superintendente da Polícia Federal no Rio, a situação evidencia um problema grave de infiltração de criminosos em órgãos públicos e na legislatura, o que representa uma ameaça à integridade das instituições.

As apurações continuam a determinar o grau de envolvimento de Carracena na ligação entre políticos, agentes públicos e o crime organizado, além de esclarecer o impacto de suas ações na segurança pública da região.


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