O governo dos Estados Unidos apresentou uma proposta ao Brasil que coloca o combate ao crime organizado internacional como prioridade nas negociações diplomáticas entre os dois países. A iniciativa, atribuída ao governo americano, inclui solicitações específicas para intensificar ações contra organizações criminosas atuantes no território brasileiro, como grupos considerados históricos no Rio de Janeiro, incluindo PCC e Comando Vermelho.
A discussão surgiu no contexto de negociações relacionadas a uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, prevista para ocorrer em abril, após uma conversa inicialmente planejada para março. A proposta americana faz parte de um esforço conjunto para ampliar a cooperação na área de segurança.
Entre as exigências feitas pelos Estados Unidos, destaca-se a necessidade de o Brasil elaborar um plano de ação para combater facções, incluindo organizações transnacionais como Hezbollah e grupos chineses envolvidos no país. Além disso, o governo americano pediu o compartilhamento de informações sobre estrangeiros, incluindo dados biométricos de refugiados, além de reforçar ações contra imigração irregular e redes criminosas internacionais.
A proposta também sugere que o Brasil receba presos estrangeiros capturados nos Estados Unidos em suas prisões, adotando um modelo semelhante ao utilizado por El Salvador, que mantém internos estrangeiros em uma penitenciária de alta segurança. Essa medida faria parte de um acordo mais amplo de cooperação para o combate ao crime organizado de alcance global.
No momento, o governo brasileiro ainda analisa a contraproposta enviada pelos EUA. Essa proposta brasileira contempla quatro principais áreas de cooperação: combate à lavagem de dinheiro internacional, bloqueio de ativos de criminosos brasileiros nos Estados Unidos, fortalecimento da colaboração entre a Receita Federal e o Internal Revenue Service (IRS), e fiscalização do tráfico internacional de armas. Também está prevista a ampliação do intercâmbio de informações sobre transações com criptomoedas usadas por organizações criminosas.
Até o momento, nenhuma das partes oficializou o aceite das condições apresentadas, e as negociações continuam. O tema ganhou maior projeção devido à presença de facções como PCC e Comando Vermelho em diversos estados brasileiros, com atuação reconhecida em todas as unidades federativas e domínio territorial em pelo menos 13. Os grupos também expandiram suas operações para outros países, com o Comando Vermelho atuando em pelo menos oito nações latino-americanas, enquanto o PCC possui footprint em 16 países, de acordo com levantamento.
Um ponto sensível diz respeito à possibilidade de os Estados Unidos classificarem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo reports, Washington já teria decidido adotar essa classificação, o que preocupa o governo brasileiro, pois poderia facilitar ações mais amplas por parte dos americanos contra as organizações criminosas. Autoridades nacionais buscam alternativas legais enquanto avaliam os impactos dessa possibilidade.
Lula tem participado de reuniões internas desde o início da semana com o objetivo de elaborar uma resposta adequada às exigências americanas e chegar a um entendimento que seja aceitável para ambas as partes antes de seu encontro oficial com o presidente Joe Biden. Caso as negociações avancem, o combate ao crime organizado poderá ser um dos principais focos do pronunciamento diplomático durante a visita aos Estados Unidos.
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