O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), realiza nesta sexta-feira (13) uma reunião no Palácio Laranjeiras com líderes aliados para avaliar o cenário político relacionado ao julgamento que pode resultar na cassação de seu mandato.
Estarão presentes na reunião o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes; o presidente estadual doPP, Dr. Luizinho; e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. O encontro acontece em meio à incerteza sobre se Castro deve renunciar ao cargo antes do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para o dia 24, ou permanecer na função, assumindo o risco de perda do mandato e inelegibilidade. A decisão do tribunal pode alterar o futuro político do governador, dependendo do resultado do julgamento sobre irregularidades nas eleições de 2022, envolvendo a Fundação Ceperj.
Castro busca ouvir seus apoiadores, embora tenha afirmado que não trará decisões impostas pelo grupo. A principal dúvida entre aliados diz respeito às consequências de cada opção. Se optar por renunciar, o procedimento permitirá que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro realize uma eleição indireta para definir seu substituto, que completará o mandato até o término. Caso decida permanecer no cargo, corre o risco de ser cassado e de ficar inelegível, o que poderia afetar a estabilidade do grupo governista na disputa eleitoral.
Dentro do próprio partido, há resistência à ideia de um nome específico para o mandato-tampão. O partido indica a candidatura do deputado estadual Douglas Ruas, apoiado por Côrtes, para liderar o governo por meio de uma eleição indireta e buscar a reeleição em outubro. No entanto, essa proposta enfrenta dificuldades de consenso na Assembleia, onde alguns apoiadores demonstram desconforto com a indicação e duvidas sobre a formação de uma maioria sólida.
O nome mais considerado por Castro para a eventual eleição indireta é o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, que não concorreria à reeleição. Contudo, o próprio partido ainda resiste a essa alternativa, sinalizando uma certa apreensão diante do momento delicado.
A situação ganhou complexidade com a manifestação de André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa e atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, que também manifesta interesse em disputar a eleição indireta. Com forte influência entre deputados estaduais, Ceciliano pode unir votos de partidos de esquerda e do PSD, legenda do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Há também a possibilidade de que parte da base governista migre para seu apoio, especialmente parlamentares insatisfeitos com o direcionamento atual do grupo político.
Essa movimentação aumenta a insegurança sobre a possibilidade de Ruas consolidar sua candidatura, que antes era vista como mais viável. Em cenários considerados nos bastidores, alguns especialistas indicam que Miccione poderia reunir mais apoios do que o parlamentar do PL.
Além disso, há tensões internas na legenda. Deputados tradicionais do partido manifestaram preocupação quanto à insistência na candidatura de Ruas, alertando para a possibilidade de um descontentamento silencioso na base do grupo, caso suas preferências não sejam atendidas. Recentemente, a condução da Assembleia por Guilherme Delaroli (PL), instalada após o afastamento de Rodrigo Bacellar (União Brasil), também foi alvo de críticas por parte de parlamentares, pelo que consideram uma falta de diálogo e de representatividade na gestão interina.
Com o julgamento se aproximando, a governabilidade de Castro enfrenta um momento decisivo. A expectativa é de que a decisão tomada influencie não apenas o seu futuro político, mas também os rumos da administração estadual durante o período eleitoral.
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