Na segunda-feira (16), a implementação da nova linha 77 do Sistema de Transporte BRT Metropolitano foi marcada por tensões envolvendo autoridades municipais e estaduais. Segundo informações da Secretaria Municipal de Transportes do Rio, agentes do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) ameaçaram prender o novo titular da pasta, Jorge Arraes, bem como outros servidores da prefeitura, durante uma operação de fiscalização dedicada à regularidade do serviço.
A linha entrou em operação às 10h, connectando o Terminal BRT Bairro Fernandes, em Irajá, a Praça João Luiz Nascimento, em Mesquita. Ainda durante a manhã, a operação foi temporariamente interrompida após o rebocamento de um dos veículos utilizados na linha e a autuação de outros dois ônibus em circulação na rota.
Conforme destacou a prefeitura, o episódio culminou em um momento de alta tensão, com relatos de que o presidente do Detro-RJ, Raphael Salgado, tenha ameaçado prender servidores municipais presentes na ação. Também haveria ameaças dirigidas a Jorge Arraes, que havia assumido oficialmente o cargo na manhã daquele dia, sucedendo a Maína Celidonio. A administração municipal anunciou que enviará, ainda nesta segunda-feira, um ofício ao órgão regulador solicitando providências para que o serviço seja restabelecido.
A situação reforça o acirramento do conflito entre o município e o governo estadual quanto ao controle e à gestão da mobilidade na Região Metropolitana do Rio. A linha 77, que tem como foco a conexão entre a Baixada Fluminense e a capital, é vista pelo município como avanço em integração, proporcionando uma alternativa mais econômica e eficiente para os usuários. Por outro lado, o estado interpreta o serviço como uma invasão de competências relativas ao transporte intermunicipal.
Desde o início das operações, o episódio evidenciou a escala do embate político entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro, transformando o que deveria ser uma inauguração em uma demonstração de discordâncias institucionais. O conflito reflete a complexidade das disputas pelo controle e pelas estratégias de mobilidade na região metropolitana.
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