Investigações no sistema prisional do Rio de Janeiro apontam para a existência de uma organização criminosa que atua no comércio ilegal de cigarros dentro de unidades penitenciárias. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) identificou a participação de policiais penais no esquema, levando ao afastamento de diversos funcionários, incluindo membros da direção de unidades prisionais.
De acordo com informações obtidas, quatro servidores do sistema prisional foram suspensos ou afastados em 2025, entre eles um diretor de uma penitenciária localizada no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio. A Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen) revelou que apreensões de cigarros contrabandeados ou falsificados acontecem com frequência nas unidades, indicando uma disputa pelo controle do mercado ilegal entre diferentes grupos de agentes penitenciários. Essa disputa configura uma organização criminosa interna, conhecida como “máfia do cigarro”.
Relatórios internos, produzidos em março deste ano, indicam que uma facção de servidores, que inclui ao menos cinco policiais penais ativos e aposentados, tem controlado há tempo o fornecimento de cigarros ilícitos. Essa facção teria assumido o monopólio do comércio, combatendo uma organização anterior, levando a uma violência interna que resultou em pelo menos três mortes, incluindo a do inspetor Bruno Kilier Fernandes, ocorrido em junho de 2023 no Recreio dos Bandeirantes. Ainda segundo as investigações, uma parte dessa estrutura criminosa estaria vinculada ao tráfico de drogas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
A atuação da organização criminosa configura uma das principais fontes de financiamento do crime organizado na região, envolvida em esquemas de corrupção que envolvem gestores públicos, detentos, visitantes e criminosos externos. Em novembro de 2025, houve novas ações de fiscalização e apreensão. O diretor, o subdiretor e o chefe de custódia do Presídio Dr. Serrano Neves, conhecido como Bangu 3A, foram afastados após a apreensão de 800 cigarros em caixas de Sedex enviadas a presos. Ainda no mesmo mês, uma cela do Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói, foi alvo de uma apreensão de 110 maços do mesmo produto. As investigações acerca desses fatos continuam em andamento.
Acompanhe o Ora Veja para mais notícias em tempo real.



