A obra de Djanira da Motta e Silva, figura central do modernismo brasileiro, mantém forte presença na cena cultural contemporânea, evidenciada pelo sucesso da exposição comemorativa “Djanira – 110 anos” realizada em 2025 na Pinakotheke Cultural, no Rio de Janeiro. A mostra atraiu uma média de mais de 250 visitantes diários ao longo de toda a temporada, conforme informações do curador e galerista Max Perlingeiro, com suporte da crítica de arte Fernanda Lopes.
A artista, que atuou além da pintura como desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora, destacou-se na capital fluminense também por suas contribuições em projetos públicos de arte. Sua obra “Crianças Kanelas” (1960), óleo sobre tela de 130 x 97 cm, foi selecionada para o “Museu a céu aberto”, iniciativa da ArtRio que levou obras artísticas às paradas de ônibus no Rio de Janeiro.
Mesmo após 46 anos de sua morte, em 1979, Djanira mantém sua força criativa, sendo foco de novas homenagens e exposições. Na edição de São Paulo da Fashion Week 2025, a coleção de Marina Bitu foi dedicada inteiramente à artista, recebendo reconhecimento positivo do público e críticos. Além disso, o CARDE – Museu de Arte & Design, em Campos do Jordão, apresentou uma mostra intitulada “Djanira: o Brasil em pintura”.
Partes do seu trabalho foram incluídas na exposição “100 anos de arte: Gilberto Chateaubriand”, voltada ao acervo do colecionador e admirador da artista. Também foi curadora de uma mostra individual na Casa Roberto Marinho, dedicada à artista Beatriz Milhazes, a qual contou com três obras da coleção da própria instituição.
Segundo o diretor do Instituto Pintora Djanira (IPD), Eduardo Taulois, o legado da artista revela temas ainda atuais, como a cultura popular brasileira, as religiões, o cotidiano dos trabalhadores e as festas tradicionais. Taulois enfatiza que Djanira, apesar de viver em um cenário predominantemente masculino na arte, produziu uma obra de grande relevância nacional, que dialoga com questões contemporâneas relacionadas à identidade cultural e à memória social.
Após sua morte, a presença de Djanira no debate público diminuiu, mas desde 2019 tem registrado avanço, sobretudo após a realização da exposição “Djanira: a memória de seu povo” no MASP. O IPD atua de forma essencial na revitalização do reconhecimento de seu trabalho, mantendo um acervo digital com aproximadamente 200 itens, incluindo obras, fotografias e documentos. A entidade é responsável por ações de preservação, organização, pesquisa e autenticação de peças, buscando combater falsificações que têm ocorrido ao longo dos anos.
Embora Djanira tivesse o desejo de criar um museu físico, a estratégia adotada pelos fundadores do instituto foi priorizar uma plataforma digital, que concentra o catálogo, documentos, conteúdos curatoriais e notícias. O projeto inclui a ampliação do acervo digital para pelo menos 800 obras, envolvendo a pesquisa documental, levantamento de procedência, mapeamento de obras dispersas e definição de protocolos técnicos para digitalização.
Nos próximos passos, o instituto pretende acrescentar depoimentos de estudiosos, artistas e curadores, bem como produzir conteúdos audiovisuais com leituras históricas e atuais sobre sua produção. Também serão realizadas mesas-redondas e oficinas de artes visuais voltadas a estudantes da rede pública, visando ampliar o entendimento e o reconhecimento da importância de Djanira na cultura brasileira.
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