O Dia do Artesão, comemorado em 19 de março, celebra a importância do trabalho manual, da criatividade e das tradições transmitidas ao longo de gerações. Em Niterói, essa cultura se manifesta por meio de uma extensa rede de artistas e artesãos que mantêm vivas técnicas e estilos tradicionais, contribuindo para a história local. As peças produzidas refletem conhecimentos acumulados, práticas culturais e referências do cotidiano, transformando matérias-primas em expressões artísticas e registros culturais.
A Secretaria Municipal das Culturas, por meio da Casa do Artesão, exerce papel fundamental na promoção e fortalecimento desse setor. Sua atuação inclui o apoio à produção artesanal, a divulgação dos artistas e a ampliação de oportunidades para que possam expor e comercializar suas criações em espaços públicos. Assim, busca-se ampliar o acesso da população às manifestações culturais e estimular a sustentabilidade dos pequenos negócios ligados ao artesanato.
As feiras artesanais de Niterói representam uma tradição consolidada, integrando diferentes bairros e figurando no calendário cultural municipal. Esses eventos funcionam como pontos de encontro entre artistas, moradores e visitantes, promovendo além da venda, o fortalecimento da economia criativa. Ao atuar como estímulo ao empreendedorismo e à geração de renda, as feiras também contribuem para a preservação de saberes populares e de práticas tradicionais que atravessam gerações.
Dentre os artistas com forte ligação às apresentações locais, destaca-se Irineu Mayerhofer, de 80 anos, autodidata que participa há mais de meio século das feiras do Campo de São Bento. Sua trajetória é marcada pela experiência com diversas linguagens artísticas, atualmente concentradas na criação de miniaturas inspiradas em porcelanas antigas. Ele enfatiza a importância dessas feiras para a vida cultural de Niterói, valorando o espaço como palco de expressão artística e reconhecimento profissional.
Outra participante tradicional é Dona Déa, de 84 anos, que há cerca de 45 anos trabalha com costura criativa voltada ao universo infantil. Sua produção, iniciada com o aprendizado da mãe, também é uma expressão de tradição familiar. Ela destaca a feira não apenas como um espaço de trabalho, mas como um ambiente de realização pessoal, onde mantém vivo um saber ancestral e promove uma conexão afetiva com a comunidade local.
A proximidade da Páscoa impulsiona também a produção artesanal de doces e pratos criados por chefs locais. Carolina Melo Costa, de 28 anos, por exemplo, prepara uma linha especial de chocolates e biscoitos artesanais que comercializa em diferentes bairros. Sua trajetória na confeitaria começou na adolescência e, após uma pausa, ela retornou às feiras, reforçando a importância do trabalho artesanal na celebração de momentos especiais e no reconhecimento do talento local.
Além do apoio às feiras, a política pública na cidade tem buscado reconhecer e valorizar oficialmente o artesanato. Em 2023, uma lei aprovada inclui no calendário oficial de eventos o Dia do Artesão, além de estabelecer a Semana do Artesanato, realizada anualmente entre os dias 19 e 26 de março. Essas ações reforçam o compromisso de Niterói com a preservação e valorização das manifestações culturais relacionadas ao trabalho manual, considerando-as parte vital da identidade e da economia local.
As feiras de artesanato permanecem ativas em diversos pontos da cidade, incluindo o Horto do Fonseca, o Campo de São Bento, a Orla de São Francisco, a Praça do Ingá e outras regiões específicas, que oferecem programação regular. Participar desses eventos representa uma oportunidade de valorizar quem usufrui do ofício artesanal, preservando conhecimentos e fortalecendo a memória cultural de Niterói.
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