Ana Cruz, cantora, poetisa e escritora, apresentará o espetáculo “Oráculo de Minhas Insurgências” nesta quinta-feira (26), às 19h, no Centro Cultural Cauby Peixoto, localizado na Alameda São Boaventura, 263, no bairro do Fonseca, Zona Norte do Rio de Janeiro. A sessão é gratuita e ocorre em um espaço que passou por recente renovação, equipado com infraestrutura técnica moderna.
A performance combina poesia, música e expressão corporal, refletindo a trajetória artística da autora. No palco, Ana Cruz transcende as palavras ao transformar sua produção em uma experiência cênica e musical, com foco na cultura afro-brasileira e na memória coletiva das mulheres negras no Brasil. A proposta do espetáculo é reforçar sua presença na cena cultural contemporânea, unindo arte, história e resistência através de uma narrativa poética com forte impacto político.
Originária de Minas Gerais e moradora de Niterói, Ana Cruz construiu sua carreira ao longo de décadas, marcada pelo compromisso com questões estéticas e sociais, especialmente relacionadas à ancestralidade africana, ao feminismo negro e ao resgate de saberes marginalizados. Formada em comunicação, com especialização em História e Cultura Afro-brasileira, ela também atua na área política e social. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminista Negro, ao lado de figuras como Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento, contribuindo para a consolidação do pensamento feminista negro no país.
Desde o início de sua trajetória literária, em 1995, com o lançamento do livro “É Feito de Luz”, Ana Cruz publicou obras independentes como “Com Perdão da Palavra” (1998), “Mulheres que Rezam” (2001), “Guardados da Memória” (2008), “Eu Não Quero Flores de Plástico” (2016) e “Insurreiças Mulheres Minas” (2020). Sua produção se caracteriza por forte carga poética, enfoque na memória e afirmação de identidade. Participou, ainda, de eventos culturais relevantes, como a Ocupação Literária “Conceição Evaristo”, em 2017, convite da própria escritora.
Além da escrita, Ana Cruz lançou o DVD “Mulheres Bantas – Vozes de Minhas Antepassadas” (2011) e o CD “Sublime Ancestralidade” (2015), onde sua poesia é apresentada com uma pegada musical, ressaltando a oralidade como elemento central de sua criação artística. Ela também coordena o coletivo Mulheres Negras: Construindo Visibilidade, que trabalha com feminismo negro, artes e direitos humanos, fortalecendo redes de enfrentamento ao racismo estrutural. Sua obra é tema de estudos acadêmicos, incluindo uma dissertação de mestrado que analisa sua produção junto à de Conceição Evaristo.
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