O Rio de Janeiro começou a semana sob nova administração, após a renúncia de Cláudio Castro e a ausência dos cargos de vice-governador e presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Nesse contexto, o desembargador Ricardo Couto de Castro, de 61 anos, assumiu interinamente a liderança do governo estadual nesta segunda-feira (23). Atual presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Couto possui reconhecida reputação por seu perfil técnico, acadêmico e postura conciliadora na Justiça.
Natural da cidade do Rio de Janeiro e torcedor do Botafogo, ele apresenta uma trajetória marcada por destaque em concursos públicos. Foi o primeiro colocado na seleção para a Defensoria Pública, em 1989, e para a magistratura, em 1992. Sua nomeação ao cargo emergencial resulta da linha sucessória prevista na Constituição, uma vez que o ex-vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou ao cargo para assumir a presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), e o deputado Rodrigo Bacellar encontra-se afastado por decisão judicial.
Conhecido como um intelectual dedicado, Ricardo Couto é frequente leitor de sebos e livrarias, sendo considerado o maior comprador de livros do Tribunal de Justiça. Em seu gabinete, entre as obras, destacam-se títulos relacionados ao Direito Administrativo, literatura clássica e gestão pública. Sua experiência na presidência do TJRJ teve início em fevereiro de 2025 e se destacou por sua abordagem de diálogo e uso de tecnologia no sistema judiciário.
Couto é um entusiasta da inteligência artificial, tendo desenvolvido o sistema ASSIS para ajudar no julgamento de processos, embora defenda que a sensibilidade humana seja insubstituível pelos recursos tecnológicos. Ele já atuou como governador do Estado por uma semana, em janeiro de 2026, durante viagem oficial do governador à Europa.
Graduado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pós-graduado pela Universidade de Coimbra, em Portugal, o desembargador também atua como professor na Fundação Getulio Vargas (FGV) e como coordenador na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ). Sua carreira na magistratura inclui experiência em Varas de Fazenda Pública e na presidência da 4ª Câmara de Direito Público. Em novembro de 2024, conquistou a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro com uma votação de 116 votos, consolidando sua liderança interna.
Segundo a Constituição Estadual, Ricardo Couto ocupará o cargo por até 30 dias. Sua missão principal é organizar a eleição indireta na Alerj, prevista para 22 de abril de 2026, na qual os deputados estaduais escolherão o próximo governador do Rio de Janeiro até o encerramento do mandato atual.
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