A Rua Primeiro de Março, no Rio de Janeiro, tem seu nome associado à data que marcou a fundação da cidade. Apesar de não ter sido criada inicialmente para homenagear esse evento, a via possui forte vínculo com episódios históricos importantes para a memória local.
Antes de receber seu nome atual, a rua era conhecida como Rua Direita e foi uma das principais arteriais do Rio no século XIX. Sua origem remonta ao século XVII, quando a área era uma praia chamada Praia da Cidade, onde ficava o Fortim da Cruz, uma estrutura de proteção que, após sofrer danos com as ondas e o clima, foi doada a uma irmandade de soldados e deu origem à Igreja Santa Cruz dos Militares. Durante esse período, a praia também foi palco de eventos incomuns, como o suposto encalhe de uma baleia, que causou mau cheiro na região.
Com o passar do tempo, a praia foi aterrada na década de 1640, sob a ordem do governador Duarte de Correia, com o objetivo de construir um forte na Baía de Guanabara. No entanto, os recursos obtidos foram desviados, e a edificação do forte ocorreu apenas após um século. Após o aterramento, a Rua primeiro de Março passou a concentrar diversas construções históricas, incluindo a Capela de Nossa Senhora do Ó, posteriormente transformada em Convento do Carmo, além do local onde D. João VI estabeleceu, em 1808, o primeiro banco brasileiro, antecessor do Banco do Brasil.
A mudança de nome da via aconteceu em 1875, após uma sugestão popular durante um discurso do then imperador D. Pedro II, no Largo do Paço. Em homenagem às celebrações do fim da Guerra do Paraguai, um cidadão pediu que a rua fosse nomeada 1º de Março, proposta que foi apoiada pelo monarca. A explicação para o antigo nome, Rua da Direita, está relacionada à sua função como caminho mais acessível e direto entre o Morro de São Bento e o Largo da Misericórdia, sem qualquer ligação com posições políticas ou orientação da via.
Atualmente, a Rua Primeiro de Março é uma via de destaque na estrutura administrativa e cultural do Rio de Janeiro, abrigando edifícios históricos, como o Palácio Tiradentes e o Centro Cultural Banco do Brasil. A rua mantém seu papel como importante vetor da história e identidade da cidade.
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