março 27, 2026
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27/03/2026

Medidas do Banco Central prometem reduzir fraudes no Pix e aumentar devoluções

Milhares de brasileiros continuam vulneráveis a tentativas de golpe financeiro, especialmente relacionadas a fraudes no sistema Pix. Segundo dados do Banco Central de 2024, foram registradas 4,7 milhões de casos de fraudes, totalizando cerca de R$ 6,5 bilhões em prejuízos. O número de incidentes apresentou um aumento de aproximadamente 80% em relação ao ano anterior. No entanto, a recuperação de valores revertidos tem sido limitada, com somente 7% do montante perdido devolvido às vítimas até o momento.

Para enfrentar essa problemática, o Banco Central implementou, desde fevereiro de 2026, uma nova versão do mecanismo de devolução, conhecido como MED 2.0. A ferramenta visa rastrear toda a cadeia de movimentações financeiras relacionadas às fraudes, com o objetivo de recuperar os recursos em até 11 dias após a contestação por parte do cliente. Essa atualização busca solucionar dificuldades anteriores, como a demora na identificação e bloqueio do dinheiro roubado, que poderia ser transferido rapidamente por criminosos antes de qualquer ação de bloqueio ou devolução.

Antes, a efetividade do sistema era limitada, pois geralmente os recursos eram transferidos para contas-laranja em poucos segundos, dificultando o bloqueio. Atualmente, o MED 2.0 consegue seguir a circulação do dinheiro por várias contas intermediárias, promovendo bloqueios automáticos ao longo do percurso. Assim, o processo de contestação pode ser realizado direto pelo aplicativo bancário, agilizando a restituição. Especialistas estimam que essa mudança pode reduzir a taxa de golpes bem-sucedidos em até 40%.

O volume de movimentações do Pix cresceu significativamente, atingindo R$ 35,4 trilhões em 2025 e quase 80 bilhões de transações. A base de usuários é de aproximadamente 180 milhões, conectados a cerca de 930 instituições financeiras. Ainda assim, o sistema também registra uma crescente quantidade de ações judiciais relacionadas a fraudes, que somaram mais de 4.500 processos entre janeiro e agosto de 2025, superando outros golpes tradicionais. Pesquisas indicam que uma proporção expressiva dos usuários já foi vítima de algum tipo de fraude via Pix, e que muitos percebem um aumento na incidência de golpes.

O cenário regulatório brasileiro é considerado um dos mais aps de fiscalização financeira digital no mundo, abrangendo desde a implementação da LGPD em 2018 até regras específicas do Banco Central que promovem o intercâmbio de informações entre bancos e penalidades substanciais para os infratores. Contudo, a maior parte do problema atual mudou de origem: de fraudes tradicionais de invasões e roubos de credenciais para golpes onde o próprio cliente realiza a transação sob manipulação do criminoso. Estudos mostram que as fraudes envolvendo compras e boletos falsificados predominam atualmente, representando mais de 38% das ocorrências.

Apesar de avanços tecnológicos, como autenticações multifatoriais e reconhecimento facial, esses recursos muitas vezes não são capazes de identificar a manipulação psicológica ou coercitiva aplicada ao cliente. Nesse contexto, a inteligência comportamental surge como uma ferramenta adicional de proteção, monitorando padrões de comportamento na realização de transações. Essa tecnologia busca registrar sinais como horários, valores, acesso remoto ou hesitações, ajudando a detectar ações sob influência de terceiros, mesmo quando as credenciais parecem legítimas.

Com a nova versão do MED, essa abordagem ganha maior relevância, especialmente na prevenção. As ferramentas de análise comportamental podem atuar na identificação de tentativas de engenharia social antes que os valores sejam transferidos. Além disso, fornecem evidências que facilitam ações judiciais para a recuperação de recursos fraudados, fortalecendo a defesa do consumidor.

Ainda assim, pesam na relação dos usuários com os bancos uma insatisfação crescente. A pesquisa revela que quase metade dos clientes que sofreram fraudes perderam confiança na instituição financeira responsável, e uma parcela significativa relata não ter recebido suporte adequado após o incidente. Essa percepção afeta a confiança geral no Pix, cujo grau de aceitação permanece elevado, mas com tendência a diminuir. Como consequência, novas funcionalidades, como o Pix por aproximação, enfrentam receios de insegurança por parte dos usuários, mesmo com uma receptividade relativamente favorável entre aqueles que já utilizam esse método.

O especialista destaca que, enquanto reguladores aprimoram mecanismos de rastreamento e devolução de valores, o maior desafio reside na prevenção. Detectar manipulações em tempo real, antes que o dinheiro seja transferido, é considerado essencial para reduzir a incidência de golpes bem-sucedidos.


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