O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira a reintegração da prisão do deputado cassado Rodrigo Bacellar. A decisão foi motivada pela perda do mandato parlamentar e pela preservação da ordem pública e da instrução penal.
A decisão de Moraes entendeu que, com a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral, não havia impedimentos para a manutenção da detenção anterior. Bacellar havia sido preso preventivamente em novembro de 2025, sob suspeita de participação em uma organização criminosa, mas a prisão foi revogada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em dezembro daquele ano. Na ocasião, o ministro substituiu a prisão por medidas cautelares, incluindo o afastamento do cargo, recolhimento domiciliar noturno e uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo Moraes, a nova ordem de prisão também levou em conta denúncia da Procuradoria-Geral da República por obstrução de investigação. A denúncia aponta que Bacellar teria tentado dificultar ações policiais e ajudado na frustração de mandados relacionados ao ex-deputado Thiago dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”, suspeito de ligação com o organização criminosa do Comando Vermelho.
Na sua sentença, o ministro destacou a necessidade de garantir a ordem pública e a eficácia das investigações, considerando a existência de indícios de ações coordenadas para obstruir as apurações, a gravidade dos crimes e o risco de continuidade delitiva. A conexão com o grupo criminoso e a possibilidade de influência nas investigações também foram citadas como razões para a restrição de liberdade.
A Polícia Federal cumpriu a ordem de prisão na residência de Bacellar, em Teresópolis, nesta sexta-feira. O ex-deputado foi encaminhado ao sistema prisional do estado e permanecerá à disposição da Justiça. A operação que resultou na detenção faz parte da terceira fase da Operação Unha e Carne, relacionada a suspeitas de vazamento de dados provenientes de uma investigação contra o grupo.
Os advogados de Bacellar acionaram a Justiça para contestar a decisão e alegaram desconhecer os motivos que justificaram a nova prisão. Eles afirmaram que seu cliente vinha cumprindo todas as medidas cautelares impostas e que irão recorrer para tentar a revogação da prisão.
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