A cerca de 18 km de Niterói, com aproximadamente uma hora de travessia pela Baía de Guanabara, encontra-se a Ilha de Paquetá, um bairro do Rio de Janeiro que preserva características de um antigo vilarejo. Livre de automóveis, suas vias de terra batida e o uso da bicicleta como principal meio de transporte refletem um estilo de vida tranquilo, onde cerca de 3.500 moradores convivem com a preservação do patrimônio histórico e ambiental.
A primeira menção documentada de Paquetá remonta a 1555, antecedendo a fundação oficial do Rio de Janeiro por dez anos. Durante a ocupação francesa no século XVI, o cosmógrafo francês André Thevet mapeou a ilha, que na época era conhecida por sua abundância de pacas, originando seu nome em tupi. No século XIX, a presença da família real brasileira trouxe reconhecimento à ilha, que passou a ser frequentada pela corte a partir de 1808. No mesmo período, figuras importantes como José Bonifácio de Andrada e Silva passaram por lá.
A conservação de Paquetá é garantida por legislação específica. Desde 1999, o território é protegido por um decreto municipal que classifica toda a ilha como Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC). Este status assegura a preservação de casarões coloniais, igrejas, o traçado urbanístico peculiar e a pavimentação em saibro. Além disso, as praias são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e algumas árvores centenárias, incluindo o famoso Baobá Maria Gorda, receberam proteção estadual.
Para explorar a ilha, o transporte mais comum é a bicicleta, que pode percorrer toda a extensão do território em menos de uma hora, embora seja necessário fazer paradas frequentes para apreciar a paisagem. Entre os pontos de destaque estão o Parque Darke de Mattos, com trilhas até o Morro da Cruz e vista panorâmica da Baía; a Praia da Moreninha, conhecida pelas águas tranquilas; o emblemático Baobá Maria Gorda; o píer da Ponte da Saudade, com pôr do sol de destaque; e o Museu Casa de Cultura José Bonifácio, que conta a história local.
O clima de Paquetá reflete o padrão do Rio de Janeiro, com verões quentes e pancadas de chuva à tarde, além de invernos amenos e céu limpo, sendo esta a melhor época para visitas. A temporada de junho a agosto costuma oferecer temperaturas mais amenas, ideais para atividades ao ar livre, como piqueniques ou caminhadas pelas trilhas.
A travessia de Niterói para a ilha pode ser realizada de barco, partindo da Praça Arariboia ou da Praça XV, com tempos de viagem que variam de 40 a 60 minutos. Carros particulares não acessam Paquetá, sendo o aluguel de bicicletas ou o uso de eletricotáxis opções de locomoção na ilha. Os barcos operam diariamente, com saídas frequentes durante a semana e intervalos maiores aos finais de semana, a passagem custando cerca de R$ 7,70.
Paquetá mantém um perfil exclusivo dentro do contexto urbano, com ruas de terra, casas coloniais e uma atmosfera de tranquilidade que remete ao passado. A visita é ideal para quem busca um refúgio de paz, onde o ritmo desacelera e o contato com a natureza e a história local prevalece.
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