Na semana passada, o plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi palco de uma sessão que resultou na eleição de Ruas para presidente da Casa, decisão posteriormente anulada pela Justiça. A eleição, marcada por grande afluência, contou com votação secreta, mas seu resultado ainda deve ser avaliado diante de possíveis novos desdobramentos políticos.
Durante a gestão de Claudio Castro no Palácio Guanabara, entre os anos de 2019 e 2023, a bancada aliada ao então governante aprovou com ampla maioria as propostas enviadas, apoiada por mais de 40 deputados de diferentes partidos, que abrangem do centro à extrema direita. Essa base sólida garantiu a sustentação do Executivo em votações importantes, principalmente nas áreas de segurança pública, administração e saúde. Apesar do controle, há sinais de fragilidade na unidade, com disputas internas e divergências ocasionais.
Recentemente, a situação política sofreu alterações significativas: Castro renunciou ao cargo de governador na última segunda-feira, e na sexta-feira seguinte foi preso pela Polícia Federal seu ex-aliado, Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, sob acusação de ligação com o crime organizado. A saída de Castro desestabiliza o apoio automático que possui na Assembleia, colocando em xeque a influência da atual bancada governista.
Hoje, a Alerj se apresenta como uma das casas mais conservadoras do Brasil, com uma maioria de deputados que se alinham às posições de direita ou centro-direita. Mesmo assim, o bloco que sustenta o governo apresenta fragmentação, devido a divergências internas relacionadas ao alinhamento bolsonarista e a disputas locais por protagonismo. Essas diferenças frequentemente desafiam a atuação unificada, embora a bancada tenha mantido forte apoio ao Executivo nas últimas mudanças de governo, especialmente nas votações de projetos polêmicos.
Com a renúncia de Castro, o cenário legislativo se torna mais incerto, sendo provável que a eleição para nova presidência da Alerj seja marcada por votações secretas. Nesse contexto, a configuração de forças indica que dissidências internas e as articulações nos bastidores poderão influenciar o resultado, especialmente considerando que o favorito ao cargo é atualmente Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio, que busca consolidar seu apoio na Casa.
Atualmente, o grupo que apoia o governo possui entre 37 e 42 deputados, reunindo partidos como PL, União Brasil, Republicanos, Solidariedade e aliados do centro. Outras bancadas, incluindo a de centro e partidos de esquerda, representam segmentos menores, mas atuantes, além de grupos considerados independentes ou voláteis, cuja votação pode ser decisiva em uma eventual disputa.
Dois cenários de votação estão em análise. Na hipótese de votação secreta, a fragmentação do bloco governista pode facilitar alianças transitórias e ampliar o peso de deputados independentes e de centro. Caso a votação seja aberta, a maioria entende-se que a bancada de direita, agrupada, tende a prevalecer, embora com a possibilidade de surpresas em votos secretos.
Ao que se observa, a atual composição demonstra que a maioria da Assembleia está alinhada com posições conservadoras e de apoio ao governo, mas não há garantias de controle absoluto. A dinâmica futura vai depender de aliados, negociações nos bastidores e dos interesses ligados às eleições de 2026, que podem alterar o cenário de poder na Casa Legislativa.
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