O reajuste nas faixas de preço do programa habitacional Minha Casa Minha Vida está redesenhando o panorama do mercado imobiliário na cidade do Rio de Janeiro. Segundo levantamento realizado pela plataforma Loft, atualmente 413 ruas da cidade possuem imóveis cujo valor se enquadra nos novos limites estabelecidos pelo governo federal para as faixas 3 e 4 do programa, anunciadas recentemente.
A análise considerou transações residenciais registradas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, com base nos dados do ITBI municipal. Os resultados revelaram que 236 ruas possuem imóveis valendo entre R$ 360 mil e R$ 440 mil, compatíveis com a nova faixa 3, enquanto outras 177 ruas apresentam imóveis na faixa de R$ 540 mil a R$ 660 mil, correspondente à faixa 4. Para estabelecer esses limites, adotou-se uma margem de variação de 10% para mais ou para menos em relação aos valores de referência atualizados. Assim, os limites da faixa 3 passaram de R$ 350 mil para R$ 400 mil, e os da faixa 4, de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
De acordo com Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, essa delimitação facilita a identificação de imóveis que, na prática, estão próximos dos novos critérios do programa. “O levantamento revela quais áreas tendem a ser mais beneficiadas com essa atualização”, explica.
A cidade possui cerca de três mil ruas com registros de transações no período estudado. Desse total, aproximadamente 14% tiveram imóveis que atualmente se enquadram nas novas faixas de preço do programa habitacional. A maior concentração de imóveis na faixa 3 se encontra em bairros de classe média e áreas mais acessíveis. A Tijuca destaca-se com 20 ruas, seguida por Campo Grande, com 18, e Jacarepaguá, com 10. Outras regiões como Vila Isabel, Cachambi, Santo Cristo e a própria Freguesia também aparecem na lista.
Dentre as ruas mais ativas, destacam-se a Via 2 PAA 12278, no Camorim, com 95 registros, e a Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, com 57. Em Jacarepaguá, a Rua 1 PAA 9509 soma 47 transações, enquanto a Estrada do Cachamorra, em Campo Grande, possui 27. Ainda na mesma faixa, a Rua Retiro dos Artistas, na Pechincha, registra um tíquete médio de aproximadamente R$ 415.700.
Na faixa 4, a distribuição geográfica é diversificada. A Tijuca mantém sua representatividade com 18 ruas, mas bairros mais valorizados também aparecem com força, como Recreio dos Bandeirantes, com 17 vias, Botafogo, com 12, e regiões como Copacabana, Laranjeiras, Glória e a própria Freguesia. As ruas com maior volume de transações nesse grupo incluem a Avenida Nossa Senhora de Copacabana (100 registros), a Rua Barata Ribeiro, também na zona Sul, com 89, e a Rua das Laranjeiras, com 60.
A análise também indica diferenças no tamanho médio dos imóveis. Na faixa 3, unidades mais compactas, com cerca de 42 a 43 metros quadrados, predominam em bairros como Jacarepaguá e Santo Cristo. Em contraste, áreas como a Tijuca e o Recreio apresentam imóveis mais espaçosos. Para a faixa 4, a metragem costuma ser maior, chegando a casos acima de 100 metros quadrados, como na Rua Silvia Pozzana, no Recreio, e na Rua Araguaia, na Freguesia.
Takahashi observa que o impacto da ampliação dos tetos de preço reflete-se sobretudo em bairros de diferentes perfis. “A presença da atualização no programa se manifesta fortemente em regiões tradicionais de classe média, como a Tijuca, e também em áreas em expansão, como o Recreio”, afirma.
Conforme a avaliação da Loft, a medida aumenta o alcance do financiamento na cidade, abrangendo desde bairros mais acessíveis até regiões já valorizadas. “O Rio apresenta uma distribuição de preços bastante heterogênea, e a ampliação dos limites do programa permite incluir uma maior variedade de áreas, de bairros clássicos a zonas mais valorizadas”, conclui Takahashi. Assim, a mudança deixou de ser restrição às periferias, ganhando força em diversas regiões do município.
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