Na última semana, uma expedição científica conseguiu registrar pela primeira vez em seu habitat natural uma lula-colossal, uma espécie que permanece desconhecida em grande parte até então. O achado, realizado em um ambiente de grande profundidade no Oceano Antártico, marca um avanço na compreensão desse invertebrado que há um século havia sido descrito apenas por restos encontrados em predadores marinhos.
A investigação foi conduzida pelo Instituto Oceânico Schmidt, a bordo do navio de pesquisa Falkor, no contexto do projeto internacional conhecido como Censo Oceânico. A equipe capturou imagens do animal usando um veículo operado remotamente, o ROV SuBastian, nas proximidades das Ilhas Sandwich do Sul, a aproximadamente 600 metros de profundidade. O exemplar filmado foi um filhote de cerca de 30 centímetros de comprimento, de corpo quase translúcido, com oito braços alaranjados e dois tentáculos longos.
A lula em questão, conhecida tecnicamente como Mesonychoteuthis hamiltoni, pode atingir até 7 metros de comprimento e pesar aproximadamente 500 quilos na fase adulta. Essa dimensão a torna o maior invertebrado do planeta, superando o peso de várias geladeiras juntas. Sua habitat exclusivo nas águas geladas da Antártida, entre 1.000 a 2.000 metros de profundidade, dificultou até então sua observação direta, pois ela habita uma região remota e de condições extremas. Seus encontros mais próximos de humanos ocorreram, até hoje, por registros indiretos, como encontros com predadores.
Entre as características marcantes da espécie destacam-se seus enormes olhos, que podem alcançar 25 centímetros de diâmetro, considerados os maiores do reino animal. Esses olhos permitem a detecção de predadores em ambientes de escura absoluta, como as profundezas oceânicas. Além disso, ela apresenta órgãos bioluminescentes que facilitam a camuflagem, e ganchos especializados em seus tentáculos, usados na captura de presas. Durante sua juventude, a lula exibe transparência, uma característica comum em espécies da mesma família, adquirindo tonalidades mais densas à medida que envelhece.
A descoberta reforça o potencial de avanços na pesquisa de espécies que vivem em ambientes inóspitos e de difícil acesso. Os cientistas pretendem aprofundar o estudo sobre aspectos específicos da biologia da lula-colossal, como seus hábitos de reprodução, padrões migratórios e limites máximos de tamanho. Além das imagens do filhote, a equipe conseguiu, pela primeira vez, registrar uma lula-de-vidro-glacial, outra espécie de interesse, ampliando o entendimento sobre a biodiversidade na região.
Segundo especialistas, o registro não só amplia o conhecimento sobre uma das criaturas mais enigmáticas do oceano, mas também evidencia a extensão dos mistérios que ainda envolvem os ecossistemas marinhos profundos. Estima-se que mais de 80% do fundo marítimo continue sem exploração detalhada, o que sugere que muitas espécies e comportamentos ainda aguardam descoberta. A continuidade dessas expedições visa preencher essas lacunas, contribuindo para o entendimento do papel dessas espécies na manutenção do equilíbrio ecológico global.
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