abril 2, 2026
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02/04/2026

Crescimento das bicicletas elétricas no Rio revela insuficiência de infraestrutura e falhas na regulamentação

Nos últimos anos, o Brasil testemunhou uma rápida expansão do uso de bicicletas elétricas, que passaram de 7.600 unidades em 2016 para aproximadamente 284 mil em 2024. No entanto, essa ampliação também revelou deficiências na infraestrutura e na regulamentação no Rio de Janeiro, tornando a convivência entre ciclistas, motoristas e pedestres cada vez mais complexa.

Apesar de a cidade contar com cerca de 500 quilômetros de vias cicloviárias, essa extensão é considerada insuficiente diante da demanda crescente. A ausência de dados oficiais sobre o número de bicicletas elétricas em circulação prejudica o planejamento de políticas públicas eficientes. A implementação de novas ciclovias tem avançado lentamente, com uma expansão de pouco mais de 10 quilômetros em um ano, representando um crescimento de apenas 1,9%. Como consequência, a cidade apresenta uma das menores taxas de desenvolvimento na infraestrutura cicloviária entre as capitais brasileiras.

Nas ruas do Rio de Janeiro, a insuficiência de ciclovias e a má sinalização intensificam os riscos. Em vias como a Rua São Clemente, em Botafogo, ou na Tijuca, moradores e ciclistas relatam dificuldades de convivência segura devido à circulação de bicicletas em calçadas e vias com alto fluxo de veículos. Ainda que melhorias pontuais, como a instalação de ciclofaixas, tenham sido realizadas, muitas delas foram retiradas ou apresentam problemas de continuidade, agravando o cenário de insegurança.

Especialistas apontam que soluções acessíveis podem melhorar o cenário. Uma delas é aumentar a prioridade para ciclistas e pedestres, adotando medidas como a redução da velocidade dos veículos, ampliação e sinalização adequada das ciclovias, além da criação de rotas compartilhadas que sejam claramente indicadas. Ainda, a regulamentação específica para bicicletas elétricas, que atualmente carece de regras concretas no município, é fundamental para garantir maior segurança e ordem no trânsito.

Embora exista uma resolução nacional que define diretrizes para o uso de bicicletas elétricas, o Rio de Janeiro ainda não estabeleceu medidas locais de fiscalização, o que contribui para a percepção de desorganização no setor. A adoção de ações simples, como aprimorar a sinalização viária e reduzir limites de velocidade, são consideradas passos viáveis e essenciais para uma mobilidade urbana mais segura e integrada. O avanço nessas áreas permanece como perspectiva para os próximos anos, dependendo de esforços coordenados entre prefeitura, órgãos de trânsito e a sociedade.


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