abril 4, 2026
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04/04/2026

Ricardo Couto busca reformar equipe do governo do Rio sob incerteza jurídica

O atual governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, tem buscado consolidar mudanças no primeiro escalão do governo, mas enfrenta dificuldades para preencher cargos estratégicos. A principal barreira é a escassez de profissionais disponíveis e dispostos a assumir posições que, por sua natureza transitória, oferecem remuneração pouco competitiva em comparação ao mercado privado.

Couto ocupa o cargo desde a renúncia de Cláudio Castro, em meio a uma crise sucessória no estado. Sua nomeação decorreu de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, enquanto uma votação marcada para 8 de abril determinará se o próximo governador será eleito de forma direta ou indireta, além de estabelecer regras para o processo de transição. Até a definição, Couto permanece à frente do Executivo estadual, sem previsão clara de sua permanência.

Diante dessa incerteza, o interino tem priorizado ajustes internos. Desde sua posse, promoveu mudanças em áreas como Casa Civil, Segurança Institucional, Controladoria-Geral e na representação do governo em Brasília. Essas ações visam dar início a uma gestão mais técnica, afastada do cenário eleitoral que marcou a administração anterior.

Uma mudança de destaque na área política foi a saída de Nicola Miccione da Casa Civil, logo na primeira fase da interinidade, e a substituição por Marco Antônio Rodrigues Simões. A transferência carregou significado político, pois a pasta havia sido fortalecida pouco antes, indicando que Couto assumia sua gestão de forma mais autônoma.

Na segurança pública, também ocorreram alterações relevantes. Edu Guimarães deixou o comando do Gabinete de Segurança Institucional, entregue ao delegado Roberto Lisandro Leão, que iniciou revisões em contratos, programas e cargos de confiança, incluindo ações sobre o programa Barricada Zero e contratos de táxi aéreo, que estão sob análise para possíveis ajustes ou encerramentos. O programa, criado anteriormente para retirar obstáculos em comunidades, atingiu milhares de residências em quatro meses e resultou na prisão de 90 pessoas.

Nos últimos dias, plataformas oficiais divulgaram mudanças em vários órgãos. Demetrio Abdennur deixou a Controladoria-Geral, sendo substituído por Bruno Campos Pereira; na Secretaria de Segurança Pública, a delegada Marcela Ortiz foi substituída por Bárbara Caballero; e na Secretaria de Representação em Brasília, Bráulio do Carmo Vieira foi trocado por Gustavo Alves Pinto Teixeira.

A reorganização também incluiu exonerações em cargos de níveis inferiores, especialmente no GSI, onde 24 profissionais ligados à segurança pública foram desligados, entre policiais civis, militares, policial federal aposentado e bombeira militar. O órgão possui um orçamento anual de R$ 64 milhões.

Embora enfrente dificuldades para preencher todas as posições desejadas, Couto tenta deixar sua marca na gestão. Um exemplo foi a antecipação do pagamento do funcionalismo, realizado no início de abril, com uma folha avaliada em R$ 2,4 bilhões. Nesse período, também exonerou o secretário de Governo, Jair Bittencourt, nomeado na última gestão de Castro, sinalizando que sua administração não será meramente de transição.

O principal desafio de Couto é a incerteza sobre a duração de sua gestão. Profissionais especializados têm receio de aceitar cargos sem garantias de estabilidade futura, devido ao momento legislativo, judicial e à remuneração pouco atrativa. Assim, ele continua ajustando a equipe, revisando setores sensíveis e aguardando o resultado do julgamento no STF, que pode alterar significativamente o quadro político do estado nos próximos dias.


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