A delicatessen Delly Gil, localizada na Cobal do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, apresentou uma declaração oficial após a divulgação de uma denúncia de intolerância religiosa envolvendo o estabelecimento. A acusação, ocorrida durante o período do Pessach, gerou mobilização por parte da Federação Israelita do Rio de Janeiro e recebeu ampla atenção nas redes sociais. A família do proprietário esclarece que o episódio foi um mal-entendido e afirma estar recebendo ameaças desde então.
Lívia Pirozzi, filha do proprietário, explicou que a situação tem causado impacto emocional na família. Ela reforçou que o pai, de 63 anos, não se recusou a atender clientes judeus, como alegado na denúncia, e que a decisão mencionada referia-se à suspensão temporária da venda de certos produtos, por razões operacionais, não por motivos religiosos.
De acordo com ela, o proprietário explicou que passou a não comercializar alimentos judaicos específicos, como o matzá, na ocasião, por dificuldades de armazenamento e venda. A representante nega qualquer insulto ou recusa de atendimento baseada na religião.
Essa versão contrasta com o relato de Monique Benoliel, chef que visitou a loja e afirmou ter sido surpreendida ao solicitar o produto. Segundo ela, o proprietário reagiu de forma agressiva, com comentários considerados ofensivos, o que levou à denúncia pública.
Em nota nas redes sociais, a Delly Gil reconheceu o episódio e pediu desculpas, declarando que não compactua com qualquer ato de intolerância. A empresa afirmou que, ao tomar conhecimento do incidente, lamentou o ocorrido e reforçou o compromisso com o respeito e o diálogo. A delicatessen, de propriedade familiar, reforçou sua relação com diferentes comunidades, incluindo a judaica, e declarou estar atenta ao assunto.
A Federação Israelita notificou o estabelecimento por escrito, estabelecendo um prazo para que a loja apresente esclarecimentos formais. Lívia anunciou que pretende procurar a entidade para esclarecer o incidente e, se for o caso, solicitar formalmente uma retratação.
Desde o episódio, a família relata que tem sofrido hostilidades, incluindo a distribuição de cartazes no entorno da loja e acusações contra o estabelecimento. Ainda assim, a loja permanece em funcionamento normal.
Recentemente, outro caso de possível discriminação provocou repercussão no Rio de Janeiro. O bar Partisan, na Lapa, foi alvo de controvérsia após colocar uma placa na entrada proibindo a entrada de cidadãos dos Estados Unidos e de Israel, mensagem que foi divulgada nas redes sociais. O episódio motivou ações por parte de autoridades e gerou críticas nas redes.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



