abril 5, 2026
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05/04/2026

Crise na Inti Empreendimentos paralisa sete projetos na Zona Sul do Rio

Na manhã desta terça-feira, uma série de empreendimentos na Zona Sul do Rio de Janeiro, pertencentes à construtora Inti Empreendimentos, tiveram suas obras interrompidas, alimentando preocupações entre compradores e investidores. As paralisações, envolvendo sete projetos localizados em bairros como Botafogo, Urca, Leblon e Gávea, estão ocorrendo há até cinco meses, mesmo com unidades ainda à venda.

A situação veio à tona após relatos de clientes que adquiriram imóveis nessas regiões. Segundo eles, as obras permanecem paradas enquanto as unidades continuam sendo comercializadas. As embates com a construtora, que ganhou destaque pelos sucessos anteriores, especialmente pelo lançamento de unidades no antigo Edifício da Mesbla, no Centro do Rio, ocorreram após reuniões com o sócio-diretor da empresa, André Kiffer. Em encontros recentes, Kiffer admitiu dificuldades na continuidade dos projetos, reconhecendo que a construtora não tem mais condições de concluir as obras.

A polêmica central está relacionada ao modelo de contrato utilizado nas operações da firma. Kiffer afirmou que os empreendimentos não seguem o formato tradicional de incorporação imobiliária, mas sim o regime de obra por administração, no qual os compradores já são titulares das unidades e a construtora atua apenas na execução. Essa modalidade transfere a responsabilidade pelos custos e riscos de construção aos adquirentes, diferentemente do regime de contratação convencional, onde a empresa assume integralmente os custos do projeto.

Mesmo com essas declarações, fontes do mercado apontam que a Inti estaria enfrentando dificuldades financeiras, possivelmente angariando empréstimos de valores elevados, acima da média do setor. A crise estaria relacionada às condições econômicas atuais, marcadas por juros altos e aumento nos custos de materiais e mão de obra. Para alguns compradores, o problema evidencia uma gestão desorganizada que, desde antes das paralisações, já gerava dúvidas sobre a continuidade dos projetos.

Para os clientes, a preocupação maior é a possibilidade de ficarem sem os imóveis ou sem a documentação de transferência. A construtora garante que continuará por meio de documentos e recursos próprios em alguns empreendimentos e oferece planos de aporte adicional em outros. Kiffer afirma que tem mantido contato aberto com os compradores, fornecendo informações detalhadas sobre receitas e despesas das obras.

Apesar da adversidade nos empreendimentos residenciais, a Inti mantém um projeto de destaque na revitalização do Centro do Rio. Trata-se do retrofit do antigo Edifício Mesbla, conhecido como Ora, realizado em parceria com a XP Investimentos e o escritório Cité Arquitetura. Essas unidades, vendidas rapidamente no lançamento, permanecem asseguradas por um orçamento separado, de modo a preservar sua operação frente ao atual cenário de dificuldades na Zona Sul.

Atualmente, a instabilidade dos projetos em andamento na Zona Sul não afetou as operações no Centro, que buscam garantir a continuidade de suas atividades e proteger o investimento. Os próximos meses deverão definir se a construtora conseguirá superar os obstáculos financeiros ou se será necessário o envolvimento de órgãos judiciais para resolução da crise.


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