abril 7, 2026
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07/04/2026

Obra do prédio Dumont 52 na Gávea está paralisada há meses, gerando preocupações de segurança

Um edifício de quatro pavimentos na Praça Santos Dumont, na Gávea, permanece inativo desde setembro do ano passado, gerando preocupações de moradores locais quanto ao risco de desabamento de andaimes e a possível invasão do imóvel. A propriedade, pertencente à Construtora Inti, enfrenta problemas relacionados à obtenção do documento de habite-se, que teve entrega atrasada, inicialmente prevista para novembro de 2025.

A paralisação das obras tem causado apreensão na comunidade, especialmente pelo desgaste visível nas estruturas instaladas na fachada. A preocupação é com possíveis acidentes provocados pela deterioração dos equipamentos de construção, que permanecem sob inspeções irregulares e sem manutenção adequada. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano declarou que a licença do projeto está vigente até junho de 2026, enfatizando que a fiscalização municipal acompanha a legalidade da obra, e não o andamento do ritmo construtivo. Assim, uma obra parada, enquanto não apresentar riscos evidentes de desabamento, não é considerada infração.

A aquisição de unidades no Dumont 52 exige investimentos mínimos de R$ 2 milhões. Entretanto, a Construtora Inti enfrenta uma crise financeira que incomoda seus clientes. Recentemente, foi reportado que a incorporadora teria abandonado ao menos sete projetos em diferentes bairros, incluindo Botafogo, Urca, Leblon e Gávea, deixando obras interrompidas por até cinco meses. Apesar da paralisação, alguns imóveis continuaram em processo de venda, o que aumentou a insatisfação dos adquirentes.

Reuniões entre cerca de 120 compradores revelaram que aproximadamente 80% dos investidores já teriam quitado seus imóveis. Muitos adquirentes manifestaram insatisfação após encontros com representantes da construtora, especialmente após o reconhecimento de que a Inti estaria sem condições de concluir os projetos. Como resposta, os interessados discutem a formação de associações de consumidores, contratação de novas construtoras para finalização das obras e ações judiciais contra a empresa.

A empresa tem defendido sua posição, afirmando que os projetos seguem o regime de obra por administração, ou seja, os compradores seriam proprietários de suas unidades e a construtora atuaria como prestadora de serviços. Essa modalidade de contratação transfere a responsabilidade pelos custos e riscos para os adquirentes, diferentemente do regime de empreitada convencional, amplamente utilizado no mercado imobiliário, que prevê um valor fechado para o desenvolvimento do projeto.

Segundo especialistas ouvidos, a Inti estaria enfrentando dificuldades para arcar com empréstimos obtidos a taxas elevadas, o que pode explicar os atrasos na entrega das obras. A reputação da construtora é marcada pelo cuidado na realização de suas construções, mas sua situação financeira atual traz incertezas sobre a conclusão dos empreendimentos em andamento. O cenário aponta para possíveis eventualidades que devem ser acompanhadas nos próximos meses, com ações que podem incluir medidas judiciais e reestruturação do portfólio de projetos.


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