Um edifício de quatro pavimentos na Praça Santos Dumont, na Gávea, permanece inativo desde setembro do ano passado, gerando preocupações de moradores locais quanto ao risco de desabamento de andaimes e a possível invasão do imóvel. A propriedade, pertencente à Construtora Inti, enfrenta problemas relacionados à obtenção do documento de habite-se, que teve entrega atrasada, inicialmente prevista para novembro de 2025.
A paralisação das obras tem causado apreensão na comunidade, especialmente pelo desgaste visível nas estruturas instaladas na fachada. A preocupação é com possíveis acidentes provocados pela deterioração dos equipamentos de construção, que permanecem sob inspeções irregulares e sem manutenção adequada. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano declarou que a licença do projeto está vigente até junho de 2026, enfatizando que a fiscalização municipal acompanha a legalidade da obra, e não o andamento do ritmo construtivo. Assim, uma obra parada, enquanto não apresentar riscos evidentes de desabamento, não é considerada infração.
A aquisição de unidades no Dumont 52 exige investimentos mínimos de R$ 2 milhões. Entretanto, a Construtora Inti enfrenta uma crise financeira que incomoda seus clientes. Recentemente, foi reportado que a incorporadora teria abandonado ao menos sete projetos em diferentes bairros, incluindo Botafogo, Urca, Leblon e Gávea, deixando obras interrompidas por até cinco meses. Apesar da paralisação, alguns imóveis continuaram em processo de venda, o que aumentou a insatisfação dos adquirentes.
Reuniões entre cerca de 120 compradores revelaram que aproximadamente 80% dos investidores já teriam quitado seus imóveis. Muitos adquirentes manifestaram insatisfação após encontros com representantes da construtora, especialmente após o reconhecimento de que a Inti estaria sem condições de concluir os projetos. Como resposta, os interessados discutem a formação de associações de consumidores, contratação de novas construtoras para finalização das obras e ações judiciais contra a empresa.
A empresa tem defendido sua posição, afirmando que os projetos seguem o regime de obra por administração, ou seja, os compradores seriam proprietários de suas unidades e a construtora atuaria como prestadora de serviços. Essa modalidade de contratação transfere a responsabilidade pelos custos e riscos para os adquirentes, diferentemente do regime de empreitada convencional, amplamente utilizado no mercado imobiliário, que prevê um valor fechado para o desenvolvimento do projeto.
Segundo especialistas ouvidos, a Inti estaria enfrentando dificuldades para arcar com empréstimos obtidos a taxas elevadas, o que pode explicar os atrasos na entrega das obras. A reputação da construtora é marcada pelo cuidado na realização de suas construções, mas sua situação financeira atual traz incertezas sobre a conclusão dos empreendimentos em andamento. O cenário aponta para possíveis eventualidades que devem ser acompanhadas nos próximos meses, com ações que podem incluir medidas judiciais e reestruturação do portfólio de projetos.
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