abril 8, 2026
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08/04/2026

Marcelo Moutinho retorna à ficção com “Gentinha”, contos que retratam o cotidiano brasileiro

Marcelo Moutinho retorna à ficção narrativa após seis anos com o lançamento de “Gentinha”, uma coletânea de 16 contos publicada pela editora Record. O livro apresenta histórias inventadas que exploram o cotidiano urbano brasileiro, destacando personagens diversos e situações aparentemente trivializadas, mas carregadas de emoções, desejos, conflitos, humor e nostalgia.

A obra é estruturada em duas partes intituladas “Dentro é um mundo” e “A verdade não rima”. Os textos navegam por diferentes cenários das periferias, bairros de classe média e outros espaços da realidade brasileira contemporânea, retratando a complexidade, força e singularidade de personagens considerados “gente do povo”. Os relatos dão ênfase às suas experiências, frequentemente explorando aspectos de uma vida cotidiana repleta de detalhes sensíveis e força narrativa.

No prefácio, a escritora Micheliny Verunschk destaca o olhar aguçado de Moutinho, que observa a paisagem social com sensibilidade e precisão. Segundo ela, o autor demonstra uma capacidade de captar as minúcias que compõem suas cenas. Já o escritor Geovani Martins compara os contos a “fotogramas” ou “rastros de pólvora”, reforçando a ideia de que a coletânea convida o leitor a refletir sobre a humanidade comum, inclusive a sua própria.

Embora seja conhecido por seu vínculo com a crônica, com um prêmio Jabuti conquistado em 2022 por sua obra “A lua na caixa d’água”, Moutinho reafirma seu compromisso com a ficção. Em “Gentinha”, a maioria das narrativas é fruto de imaginação, exceto a que abre o livro, “Queda para o alto”, que se inspira na morte trágica de sua mãe e na história familiar, embora também contenha elementos ficcionais.

Os contos do livro combinam diálogos bem-humorados, tramas inventivas e finais surpreendentes, abordando temas como memória, violência, beleza popular e humor, sempre explorando ritmos e aromas do cotidiano. Algumas histórias, como “Sentimental eu sou”, ambientada numa feira de São Cristóvão, apresentam encontros de personagens que se cruzam ao som de música brega, enquanto outras, como “Mictório”, trazem atmosferas sombrias que revelam passados violentos. “Paladar infantil” e “Conto de Natal” permanecem na linha do humor, oferecendo uma leitura leve e divertida.

A autoria mantém seu foco nas histórias de quem vive à margem dos círculos culturais mais letrados, valorizando vidas comuns que frequentemente passam despercebidas, uma temática que remete às tradições do conto-reportagem. Além disso, a presença da música na narrativa reforça laços afetivos e culturais, traçando um diálogo entre literatura, cultura popular e memória.

Atualmente, o autor trabalha na divulgação de “Gentinha” em eventos previstos para o Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo sessões de autógrafos, bate-papos e atividades culturais. A expectativa é de que a obra continue contribuindo para o reconhecimento da experiência urbana brasileira sob uma perspectiva sensível e inventiva.


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