abril 10, 2026
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10/04/2026

Tecnologia com fios de cabelo atua na proteção de manguezal na Baía de Guanabara

Na Baía de Guanabara, uma inovação tecnológica voltada ao combate à poluição foi implementada na última segunda-feira na Ilha do Fundão, na zona oeste do Rio de Janeiro. Um sistema de contenção de óleo, produzido com fibras de cabelo humano, foi instalado na Enseada de Bom Jesus, ampliando a proteção ambiental na região.

Essa iniciativa representa a primeira aplicação dessa tecnologia em ambiente natural no Brasil. A estrutura, composta por uma barreira flutuante de aproximadamente 300 metros de comprimento, foi adaptada para atuar simultaneamente na retenção de resíduos sólidos e na absorção de contaminantes oleosos. O dispositivo foi desenvolvido pelo projeto Fiotrar e colocado na área com o apoio de organizações locais e ambientais, incluindo os projetos Orla Sem Lixo Transforma e Fiotrar, com respaldo da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Os materiais utilizados na contenção são feitos de malha de algodão recheada com fios de cabelo humano, que tem alta capacidade de absorção de óleo. Segundo estudos, um grama de cabelo consegue absorver cerca de cinco gramas de óleo, demonstrando a eficiência do resíduo humano como alternativa sustentável de baixo custo na mitigação da poluição aquática. A barreira é composta por elementos de isopor, tecido e mantas geossintéticas, além de lona de cobertura, assegurando sua flutuabilidade e resistência às condições do ambiente marítimo.

A instalação veio após um período de testes realizados ao longo de um ano, que permitiram ajustar a tecnologia às particularidades ambientais da baía e às estruturas já existentes. A coordenação do projeto explicou que esse processo de adaptação foi fundamental para garantir a eficácia do sistema na região, que possui características ambientais específicas e uma forte presença de manguezais.

A parceria entre os desenvolvedores da barreira, pesquisadores e pescadores artesanais foi essencial para o êxito da iniciativa. Os esforços para criar o dispositivo começaram em 2025, com a orientação da Fundação Grupo Boticário e a realização de testes de campo no último ano. Essas ações já haviam recebido apoio em 2021 pelo programa Teia de Soluções – Camp Oceano, refletindo o compromisso contínuo com a conservação e inovação ambiental.

Segundo representantes da fundação, a união dessas iniciativas demonstra o potencial de soluções complementares diante de desafios ambientais históricos na costa do estado do Rio de Janeiro. A proteção dos manguezais emergiu como estratégia fundamental para a recuperação da baía, já que esses ecossistemas atuam na redução do impacto das ondas, na proteção costeira e no sequestro de carbono. A barreira instalada visa prevenir que óleo e resíduos sólidos cheguem às raízes e ao solo, contribuindo para a preservação dessas áreas naturais de grande importância para a saúde do ecossistema local.


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