abril 14, 2026
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14/04/2026

Julgamento de réus pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete é retomado em Salvador

O julgamento de dois indivíduos acusados pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será retomado nesta terça-feira pela manhã, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A sessão foi iniciada na segunda-feira, após ter sido adiada anteriormente, e envolve os réus Arielson da Conceição Santos, presente no local, e Marílio dos Santos, que permanece foragido.

Antes do início do julgamento, realizou-se o sorteio dos sete jurados que compõem o conselho de sentença, responsáveis por decidir o veredicto. Após esse procedimento, foi ouvida uma testemunha do caso e o réu Arielson, enquanto Marílio não compareceu. A previsão é que, na manhã seguinte, sejam realizados os debates entre o Ministério Público, a assistência de acusação e a defesa dos réus. A sessão é conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.

A acusação indica que Arielson e Marílio cometeram homicídio qualificado contra Mãe Bernadete, em 2023, na cidade de Simões Filho. Segundo o denúncia, o crime foi motivado por torpeza, por meio cruel, com impossibilidade de defesa por parte da vítima, além do uso de arma de uso restrito. Arielson também responde por roubo. Outras três pessoas – Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus – também estão denunciadas pelo Ministério Público baiano, sendo que Ydney é apontado como o suposto mandante do assassinato, embora ainda não haja previsão para julgamento dessas ações.

Mãe Bernadete foi morta aos 72 anos, em 17 de agosto de 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Ela morreu após ser atingida por 25 tiros durante uma invasão armada à comunidade, que resultou na manutenção de reféns entre familiares e na execução da líder. Advogada e ativista, ela integrava a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e era uma voz relevante na defesa do território, na luta contra o racismo e na busca por justiça pelo assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, morto em 2017 por defender as mesmas causas.

O homicídio ocorreu mesmo diante de ameaças frequentes que a liderança vinha recebendo e após sua participação no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Em decorrência da repercussão do caso, o Tribunal de Justiça decidiu pelo desaforamento do julgamento, transferindo o processo para Salvador, com o objetivo de assegurar a imparcialidade na decisão final.


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