Um vídeo de pouco mais de dois minutos vem chamando atenção nas redes sociais ao mostrar dois marmotas, considerados “irmãos”, recebendo cuidados veterinários. As imagens, produzidas por um canal dos Estados Unidos e gravadas no dia 21 de março, mostram as criaturas sendo as suas unhas aparadas de forma delicada, enquanto uma delas demonstra sinais de ansiedade ao observar a outra sendo atendida.
No Brasil, a importação de marmotas para fins de estimação por indivíduos não possui regulamentação específica que facilite o processo. Essa ausência de legislação contribui para que esses animais fiquem muitas vezes na zona cinzenta da legislação ambiental ou sejam alvo do tráfico de fauna silvestre.
Diferentemente de animais domésticos tradicionais, como cães e gatos, que passaram por processos de domesticação ao longo de milênios, as marmotas mantêm necessidades biológicas originadas de seu ambiente natural. Especialistas em comportamento animal afirmam que manter esses roedores em ambientes domésticos pode interferir no ciclo de hibernação e no comportamento de escavação, configurando, muitas vezes, maus-tratos por privação de suas funções naturais.
Apesar de apresentarem uma aparência tranquila nas redes sociais, especialistas alertam que o contato com animais silvestres criados em cativeiro pode esconder efeitos psicológicos advindos de restrições ambientais. Além disso, há o risco de transmissão de zoonoses que espécies não monitoradas podem representar para as residências.
Para criar marmotas no Brasil, é necessário seguir as normas do Ibama e do Conama, que exigem documentos que comprovem a origem legal dos animais, como certificado de origem emitido por criadouro autorizado, nota fiscal e microchip ou anilha rastreável. Além disso, a importação de espécies exóticas sem controle adequado pode representar ameaças à biodiversidade local e à saúde pública, por meio da introdução de patógenos estrangeiros.
Conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), manter animais silvestres ou exóticos em cativeiro sem as devidas permissões pode resultar em penalidades severas, incluindo multas e detenção, principalmente quando se trata de espécies raras ou protegidas.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.


