Na última sexta-feira, foi eleita a nova presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O deputado Douglas Ruas obteve a vitória em uma sessão marcada por tensões políticas, com pressão de setores opositores e a possibilidade de questionamentos judiciais. Ele recebeu 44 votos favoráveis, enquanto 25 deputados optaram por não participar, em sinal de protesto, e uma abstenção foi registrada.
A votação ocorreu em meio a uma crise institucional que afeta o governador do estado, e o resultado tem potencial impacto na disputa pelo cargo executivo estadual. A sessão foi marcada por uma estratégia coordenada de obstrução por parte de parlamentares ligados ao grupo do ex-prefeito Eduardo Paes, que alegaram falta de legitimidade no processo ao não comparecerem à votação. Dentro do plenário, houve protestos, incluindo vaias e gritos de “diretas já”.
O principal ponto de discordância refere-se ao método de votação adotado para a eleição da mesa diretora. O Legislativo manteve a preferência pelo voto aberto, uma decisão respaldada pelo Tribunal de Justiça do Rio, que reforçou a autonomia da Casa nessa escolha. A oposição sustenta que o voto aberto pode expor os parlamentares a pressões externas, o que contribui para o conflito.
Antes da sessão, integrantes da base governista reuniram-se no gabinete do presidente em exercício para assegurar os votos necessários à eleição. Com ampla margem, o grupo conseguiu consolidar a vitória e reforçar o controle sobre a Mesa Diretora. Após o resultado, representantes do grupo reforçaram a legitimidade do procedimento, ressaltando a autonomia do legislativo.
Apesar da conquista, a eleição deverá ser alvo de questionamento judicial. Deputados da oposição já indicaram que pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal, principalmente devido à decisão de manter o voto aberto. Assim, há previsão de que o desfecho da eleição seja definido nos tribunais, podendo influenciar também a composição do comando do Legislativo estadual.
O novo presidente da Alerj possui status na linha de sucessão do governo, mas não assumirá oficialmente a gestão enquanto o estado estiver sob administração interina. Atualmente, o controle estadual está com o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, devido à saída do ex-governador Cláudio Castro e à indefinição sobre o mecanismo de eleição indireta para o substituto.
A eleição na Assembleia de hoje é vista como uma etapa prévia da eleição para o governo em 2026. Douglas Ruas, pré-candidato ao Palácio Guanabara pelo PL, deverá enfrentar nomes como Eduardo Paes na disputa. O controle da Assembleia é considerado estratégico por influenciar a articulação política estadual, o acesso à máquina pública e a visibilidade do futuro governo.
Perfil do deputado Douglas Ruas revela uma trajetória de atuação na gestão pública, com passagem pelo setor de segurança, além de experiência na captação de recursos e na administração de projetos. Filho do prefeito de São Gonçalo, atua na política há anos, com forte base na cidade e apoio de lideranças do PL, incluindo o deputado federal Altineu Côrtes. Sua atuação na articulação de investimentos e na segurança pública torna-o uma figura com potencial para consolidar interlocução política na região.
O cenário atual indica uma fase de instabilidade, com possíveis desdobramentos jurídicos no STF e debates acerca da eleição indireta para o governo. A situação permanece dinâmica, com mudanças previstas nos próximos dias, conforme o desfecho das disputas políticas e judiciais.
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