No cenário urbano brasileiro, o transporte público enfrenta uma perda progressiva de protagonismo, reflexo das mudanças nas preferências diárias de deslocamento da população. Essa tendência contribui para o aumento do número de veículos nas vias, agravando o congestionamento e dificultando a mobilidade nas regiões metropolitanas, especialmente no Rio de Janeiro.
Dados recentes indicam uma redução no uso dos ônibus, que em 2017 atendiam 45% dos passageiros. Atualmente, esse índice caiu para 31%. Em contrapartida, o uso de automóveis particulares cresceu de 22% para 30%, enquanto motocicletas passaram de 5% para 11%. Ainda, a participação de serviços por aplicativos elevou-se de 1% para 11%. No Rio de Janeiro, metade dos usuários de transporte paga deixou de optar pelo ônibus municipal ou intermunicipal ao longo da última década, de acordo com levantamento estadual.
Esse fenômeno evidencia um cenário preocupante: a crescente preferência por transporte individual como alternativa ao sistema público. Serviços privados de carros e motos, oferecidos por aplicativos, se inseriram no mercado como opções convenientes, promovendo deslocamentos porta a porta, muitas vezes a custos semelhantes às tarifas convencionais. Com menor fiscalização, esses serviços passaram a competir diretamente com os ônibus, impactando negativamente a mobilidade coletiva.
O transporte público desempenha papel relevante na inclusão social, oferecendo tarifas acessíveis a grupos vulneráveis, além de estimular a economia local e facilitar a integração entre regiões distantes. Ainda, contribui para a redução de acidentes, da violência no trânsito e da emissão de poluentes. Contudo, a insuficiência de investimentos ao longo dos anos fragilizou a atratividade do sistema coletivo, elevando os custos de operação e a percepção de insegurança e demora por parte dos usuários.
A solução para esse impasse não reside em restringir avanços tecnológicos, mas em fortalecer o transporte público através de melhorias estruturais. Para isso, a aprovação do Marco Legal do Transporte surge como uma medida prioritária, ao estabelecer metas de qualidade, eficiência, renovação da frota e segurança jurídica. A legislação propõe ainda novas fontes de financiamento, diversificando recursos além da tarifa do usuário, para garantir tarifas acessíveis e a sustentabilidade do sistema.
A modernização do transporte público, com veículos mais limpos, frequentes e rápidos, é fundamental para reverter o ciclo de desvalorização e atrair os passageiros de volta. A participação de municípios e estados na implementação e valorização dessa política é essencial para ampliar seu impacto e evitar o colapso da mobilidade urbana nas grandes cidades. Assim, o dia internacional dedicado ao transporte público reforça a importância de estratégias que priorizem a mobilidade coletiva como elemento central de uma cidade mais funcional, inclusiva e sustentável.
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