Dez policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) enfrentam processo na Justiça Militar devido a suspeitas de irregularidades durante uma operação na comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada pela Auditoria da Justiça Militar do Estado, após apuração de denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, referente aos acontecimentos ocorridos em 10 de janeiro de 2025.
De acordo com os fragmentos de investigação, os agentes teriam invadido residências sem autorização judicial e fora de situações de flagrante. Ao menos 13 casas teriam sido acessadas de modo clandestino, com uso de chaves de má-fé ou técnicas de arrombamento. Em uma das ocorrências, uma moradora foi surpreendida pelos policiais dentro de seu imóvel. Em outra situação, foi registrado que um homem dormia no quarto enquanto a equipe já tinha entrada na residência. Imagens também evidenciam permanência prolongada dos agentes nos locais após as entradas, o que, segundo o Ministério Público, não fazia parte da missão operacional.
Adicionalmente, as investigações indicam que policiais teriam utilizado móveis, banheiros e alimentos das residências para consumo próprio, configurando desvio de conduta. Parte das provas são gravações feitas por câmeras portáteis usadas pelos próprios agentes; no entanto, há registros de falhas ou interrupções nas imagens, atribuídas a obstruções durante a operação.
Com a decisão, os envolvidos — que incluem oficiais e praças do Bope — passam a responder formalmente por violação de domicílio qualificada e outras acusações. Eles terão dez dias para apresentar defesa escrita. Uma das pessoas inicialmente citadas teve seu processo arquivado devido ao falecimento.
Entre os crimes atribuídos aos policiais estão a invasão clandestina de residências na Nova Holanda sem autorização judicial ou consentimento dos moradores, uso de chaves mestras ou arrombamentos e permanência nas casas além do propósito da missão. Além disso, há denúncia de que alguns agentes negligenciaram a atividade principal ao permanecerem nos imóveis para dormir, utilizar banheiros e consumir alimentos. Também se aponta obstrução intencional das câmeras corporais, dificultando o registro completo das ações durante a operação.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que a Corregedoria instaurou procedimento assim que tomou conhecimento das denúncias, tendo o relatório sido encaminhado à Justiça Militar. A corporação reforçou o compromisso de adotar medidas administrativas em caso de comprovação de irregularidades e declarou-se disponível para colaborar com as investigações. Quanto ao policial do Bope mencionado nas imagens e investigado em outro caso, ele foi afastado de suas funções.
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