abril 26, 2026
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26/04/2026

À frente de Lula no Rio, Flávio Bolsonaro fortalece palanque de Douglas Ruas na disputa pelo governo estadual

Pesquisas recentes indicam vantagem do senador do PL sobre o presidente em simulação de segundo turno no Rio, enquanto Douglas Ruas aparece consolidado como principal nome da direita contra Eduardo Paes. Mais de 70% dos eleitores ainda estão indecisos, aponta pesquisa

Por Redação RIO PRESS,

 

A disputa pelo governo do Estado do Rio de Janeiro começa a ganhar contornos mais nacionais. Com Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os eleitores fluminenses em um eventual segundo turno presidencial, o campo da direita vê no desempenho do senador um ativo político importante para impulsionar a pré-campanha de Douglas Ruas (PL) ao Palácio Guanabara.

Segundo levantamento do Paraná Pesquisas divulgado neste sábado, 25 de abril de 2026, Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções de voto contra 40,5% de Lula em uma simulação de segundo turno no Rio de Janeiro. No primeiro turno estimulado, os dois aparecem tecnicamente empatados: Flávio com 36,9% e Lula com 36,7%. A pesquisa ouviu 1.680 eleitores em 63 municípios fluminenses entre os dias 21 e 23 de abril, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e registro no TSE sob o número BR-01920/2026.

O mesmo levantamento também mediu a avaliação do governo federal no estado. De acordo com os dados divulgados, 55,2% dos entrevistados desaprovam a gestão Lula, enquanto 41,4% aprovam. Na avaliação qualitativa, 47,3% classificam o governo como ruim ou péssimo, 21,4% como regular e 30% como ótimo ou bom. Esses números ajudam a explicar por que o ambiente político fluminense pode favorecer candidaturas associadas ao campo conservador e bolsonarista.

Nesse cenário, Douglas Ruas surge como o principal nome do PL na disputa pelo governo do estado, figurando em segundo lugar (pesquisa estimulada) entre os pré-candidatos, à frente de nomes como Wilson Witzel, André Marinho, Bombeiro Rafa Luz e William Siri. Na pesquisa espontânea, 72,9% disseram não saber ou não opinaram, indicando que ainda há grande espaço de definição no eleitorado.

O crescimento de Ruas também pode ser observado quando se compara o cenário atual com levantamentos anteriores. Em fevereiro, pesquisa Prefab Future apontava Douglas com 5,1% no cenário estimulado. Em março, o Real Time Big Data mostrou o deputado com 13% em um dos cenários de primeiro turno e 19% em eventual segundo turno contra Eduardo Paes. Já em abril, o Paraná Pesquisas registrou Douglas com 13,2% no primeiro turno e 20,7% em uma simulação direta contra Paes.

Como são institutos e metodologias diferentes, os números não formam uma série estatística perfeita, mas indicam que o nome de Ruas passou a ocupar espaço mais claro na corrida estadual.

A escolha de Douglas Ruas como nome do grupo governista e do PL no Rio foi tratada publicamente como uma decisão articulada pelas lideranças da base. Em fevereiro, o então governador Cláudio Castro anunciou que Douglas seria o candidato do grupo ao governo estadual, destacando sua passagem pela Secretaria das Cidades e sua proximidade com municípios do interior.

A trajetória administrativa é um dos pontos centrais explorados por aliados de Ruas. Antes de chegar à presidência da Alerj, ele comandou a Secretaria de Estado das Cidades, pasta responsável por obras de infraestrutura urbana, drenagem, pavimentação, mobilidade e requalificação em diferentes regiões do Rio de Janeiro.

Dados divulgados pela própria secretaria apontam que a pasta alcançou R$ 2,49 bilhões em contratos vigentes, com ações em 68,5% do território estadual e impacto estimado em mais de 3 milhões de pessoas.

Entre os projetos associados à atuação da Secretaria das Cidades estão obras em municípios como São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu e outras cidades do interior. Em São Gonçalo, por exemplo, a secretaria destacou intervenções de drenagem, calçadas e pavimentação em 126 ruas, além do MUVI, corredor viário projetado com 18 quilômetros de extensão e 32 estações.

O perfil apresentado por Ruas também combina formação técnica e experiência pública. A ficha oficial da Alerj informa que ele é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Antes da Assembleia, passou pela subsecretaria de Trabalho de São Gonçalo, pela superintendência regional do Inea e pela Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais do município, onde atuou na estruturação de projetos estratégicos, que transformaram e modernizaram a urbanização da cidade, onde seu pai, Capitão Nelson (PL) é prefeito.

No campo político, Ruas assumiu recentemente a presidência da Alerj em meio a um ambiente de forte disputa institucional. Ele foi eleito com 44 votos favoráveis, em votação aberta, após decisão do Tribunal de Justiça do Rio manter o rito definido pela Assembleia. A oposição boicotou a sessão por discordar do modelo de votação, mas o resultado consolidou Ruas como uma figura de maior peso no Legislativo fluminense.

A combinação entre o desempenho de Flávio Bolsonaro no Rio, a desaprovação de Lula no estado e a consolidação de Douglas Ruas como nome do PL cria um quadro de disputa que tende a nacionalizar a eleição fluminense. Para aliados de Ruas, o senador pode funcionar como principal cabo eleitoral da direita no estado, transferindo visibilidade e estrutura política para a campanha estadual.

Ainda assim, os números mostram que o desafio de Douglas é significativo. O ponto de atenção, porém, está no alto índice de eleitores sem definição no voto espontâneo e na possibilidade de a disputa estadual ser influenciada pela polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo.

Nesse ambiente, Ruas tenta se apresentar não apenas como candidato de campo ideológico, mas como gestor com passagem por uma área sensível para os municípios: infraestrutura urbana. O pré-candidato da Direita ao governo do estado também tem pregado um discurso sobre a necessidade de diálogo com todas as correntes políticas e demais instituições da República, afim de “garantir normalidade institucional”.

“Acredito que tudo deve e pode ser resolvido através do diálogo e sempre seguindo os ritos legais. Não temos interesse em batalhas judiciais, pelo simples fato de entendermos que isso em nada ajuda o povo do Rio de Janeiro”, disse Douglas em relação ao impasse sobre assumir ou não o governo interino do estado, após ser eleito presidente da Alerj.

A eleição no Rio, portanto, começa a se desenhar em duas frentes. De um lado, Paes aparece como o nome mais conhecido. De outro, Douglas Ruas tenta transformar a força eleitoral de Flávio Bolsonaro no estado, sua atuação na Secretaria das Cidades e sua chegada ao comando da Alerj em credenciais para ampliar sua presença junto ao eleitorado fluminense.

 

* Imagem meramente ilustrativa do deputado estadual Douglas Ruas e o senador Flávio Bolsonaro na escadaria _ Crédito: Foto criada por IA.

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