abril 28, 2026
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28/04/2026

Obra em Copacabana ameaça calçada tombada por Burle Marx e patrimônio cultural

O calçadão da Praia de Copacabana, criado por Roberto Burle Marx e considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, encontra-se atualmente sob ameaça de intervenção que compromete sua integridade histórica. Uma obra de ampliação de um hotel, atualmente operando sob a marca Lancaster, vem avançando sobre o espaço tombado, em uma área de pedras portuguesas que compõe o icônico percurso à beira-mar. As imagens divulgadas mostram que uma base de cimento está sendo construída sobre a calçada, prejudicando o layout original concebido por Burle Marx.

Situada entre os hotéis PortoBay Rio de Janeiro e Atlântico Praia, a obra suscita preocupações em relação à preservação do patrimônio cultural do local. A intervenção, que altera a configuração da calçada, também levanta dúvidas sobre a fiscalização adequada por parte dos órgãos responsáveis e sobre possíveis precedentes para futuras ações sobre o bem público. Além de discutir as justificativas sanitárias ou de segurança alegadas pelos responsáveis, há opiniões de que a modificação desrespeita a importância histórica do espaço, destacando impactos visuais negativos e a descaracterização da paisagem.

A existência de uma placa na obra, aparentemente autorizada pela Prefeitura, tem alimentado debates entre moradores e visitantes quanto à legalidade do procedimento. Enquanto alguns argumentam que a intervenção visa a segurança de funcionários e clientes, outros reforçam a necessidade de manutenção do calçadão como símbolo do Rio de Janeiro. A questão evidencia o desafio de conciliar interesses comerciais, de preservação e fiscalização na gestão de patrimônios públicos.

O calçadão de Copacabana, símbolo do planejamento urbanístico iniciado no início do século XX, possui forte reconhecimento internacional. Inspirado no Largo do Rossio, em Lisboa, e finalizado por grupo de calceteiros portugueses entre 1905 e 1919, o espaço foi reurbanizado na década de 1970 e, posteriormente, redesenhado por Burle Marx. Sua identidade visual, com ondas de pedras portuguesas pretas, brancas e vermelhas, remete às origens multiculturais do Brasil, enquanto os coqueiros ao redor reforçam a integração com o ambiente costeiro.

Desde sua criação, o calçadão tem sido considerado um patrimônio cultural, tendo recebido o reconhecimento oficial em 1991. Sua preservação é vista como fundamental para o desenvolvimento sustentável do turismo, uma vez que os pontos turísticos de renome internacional dependem de sua identidade visual e de sua conservação. No momento, as autoridades e a sociedade civil aguardam desdobramentos acerca da continuidade das obras e da proteção do espaço, que é uma das principais marcas do Rio de Janeiro.


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