Um estudo realizado no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), em Niterói, avalia o uso de inteligência artificial (IA) na formação, avaliação e prática clínica na área de saúde. A pesquisa investigou o desempenho de sistemas de IA na resolução de questões do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), exame estruturante para os profissionais médicos no Brasil.
A análise se diferencia por ir além da simples comparação de acertos. O trabalho também examina o raciocínio utilizado pelas ferramentas de IA e identifica suas limitações em tarefas que demandam julgamento clínico, integração de informações e interpretação de nuances, aspectos essenciais na prática médica.
O estudo foi conduzido no contexto de um hospital universitário que combina ensino, pesquisa e assistência. O coordenador da pesquisa, Dr. Claudio Tinoco, destaca o interesse pelo tema ao perceber a crescente presença de IA na saúde, fruto de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). A expansão do uso de tais ferramentas entre estudantes, professores e profissionais médicos motivou a investigação, voltada a compreender seus benefícios, limites e possíveis riscos.
Ao escolher o Enamed como base de avaliação, a equipe buscou analisar as competências essenciais à formação médica, despertando reflexões sobre os critérios utilizados na avaliação da preparação dos profissionais no país. A pesquisa focou na resolução de questões relacionadas à cardiologia, área na qual os sistemas de IA obtiveram bons resultados principalmente em tarefas bem estruturadas, pautadas em protocolos clínicos e diretrizes estabelecidas.
Por outro lado, o estudo revelou que as limitações das ferramentas de IA se evidenciam especialmente quando há necessidade de julgamento clínico, interpretação de nuances ou integração de informações complexas. Esses aspectos mostram que, apesar do potencial, a tecnologia ainda não consegue reproduzir habilidades humanas fundamentais na prática médica.
Os resultados do estudo estimulam discussões sobre a formação médica, a avaliação de competências e o uso de tecnologias na saúde. O pesquisador enfatiza que o domínio de conteúdos isolados não basta. É necessária uma formação que valorize o desenvolvimento de habilidades críticas, éticas e práticas, essenciais à responsabilidade do profissional na rotina clínica.
Quanto às avaliações, o avanço da IA sugere a necessidade de repensar os métodos atuais, que podem não captar completamente a complexidade do exercício médico. Com o aumento do uso de tecnologias na rotina da saúde, a preparação dos futuros profissionais deve incluir uma compreensão mais aprofundada dessas ferramentas, além do desenvolvimento de competências que integrem conhecimento técnico e julgamento clínico.
Apesar das limitações, a pesquisa reforça que a IA pode atuar como suporte na saúde, complementando o raciocínio clínico e a experiência do profissional, mas não substituindo a responsabilidade, o julgamento e a tomada de decisão humana. Para isso, é fundamental uma formação específica que esclareça os limites das tecnologias utilizadas.
O estudo foi realizado em um ambiente que integra ensino, pesquisa e assistência, características do Huap-UFF, considerado espaço estratégico para investigações dessa natureza. Segundo Dr. Tinoco, essa integração promove uma reflexão profunda sobre o impacto das inovações tecnológicas na formação e na prática médica, contribuindo para uma visão mais crítica e embasada.
Ele ressalta ainda a importância de os hospitais universitários serem espaços de produção de conhecimento sobre novas tecnologias, de modo a orientar futuras ações na área da saúde. Como princípio, destaca que o foco do estudo e da formação deve estar na compreensão, e não apenas na memorização de conteúdos, buscando desenvolver uma percepção crítica indispensável na atuação médica contemporânea.
A Universidade Federal de Fluminense e o Huap, responsáveis por parte do desenvolvimento da pesquisa, reforçam seu compromisso em promover estudos que contribuam para a atualização e a formação de profissionais cada vez mais preparados para os desafios atuais da medicina.
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