abril 29, 2026
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29/04/2026

Banco Central reduz juros pela segunda vez consecutiva, diante de tensões globais e inflação em alta

O Banco Central decidiu pela segunda redução consecutiva na taxa básica de juros, a Selic, que passou a 14,5% ao ano, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A medida foi adotada de forma unânime, em um cenário de instabilidade global e com a preocupação de conter a inflação, ainda que fragmentada pelos efeitos dos conflitos no Oriente Médio.

Desde junho de 2025, quando atingiu 15% ao ano, a maior taxa em quase duas décadas, a Selic vinha sendo revista para baixo. A recente redução reflete uma tentativa de estimular a economia, embora a guerra na região tenha causado aumento nos preços de combustíveis e alimentos, dificultando o gerenciamento da inflação pelo Copom. Além disso, o órgão enfrenta ausências em seu quadro de dirigentes, devido à expiração de mandatos e ao falecimento de um integrante, o que pode impactar sua atuação futura.

No momento, o Banco Central não sinaliza uma trajetória definida para as taxas de juros, afirmando que acompanha a evolução do cenário internacional e os efeitos prolongados do conflito. Em nota, o Copom destacou que há elevado nível de incerteza acerca das projeções econômicas, principalmente devido à duração dos conflitos e seu impacto na inflação. A unidade monitora de perto esses fatores para ajustar suas estratégias.

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tem apresentado sinais de aceleração. A prévia do IPCA-15 marcou alta de 0,89% em abril, enquanto o acumulado em 12 meses subiu para 4,37%, acima do definido pela meta de 3%, com tolerância de até 1,5 ponto percentual. O resultado completo do IPCA de abril será divulgado em maio, e o Banco Central mantém o controle da meta de inflação por meio da política de juros.

Desde o início de 2025, o sistema de metas contínuas regula a política monetária, com o objetivo de atingir a inflação de 3%, dentro de uma faixa de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Essa abordagem permite uma avaliação mais dinâmica das variações de preços ao longo do tempo, sem limitar a análise à meta fixa de dezembro de cada ano. No relatório mais recente, o Banco Central elevou a previsão do IPCA para 2026 de 3,5% para 3,6%, embora esse prognóstico possa ser ajustado em função da variação do dólar e da inflação atual.

As expectativas do mercado indicam aumento na inflação projetada para o final do ano, passando de 3,95% para 4,86%, ultrapassando o limite máximo da meta de 4,5%. Isso reforça a preocupação com o controle de preços diante do cenário internacional turbulento. Por outro lado, a redução dos juros visa estimular a economia, tornando o crédito mais acessível, o que deve impulsionar produção e consumo, mesmo que comprometa a contenção inflacionária.

Para o próximo ano, o Banco Central mantém a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,6%, enquanto analistas do mercado financeiro têm expectativas mais positivas, projetando alta de 1,85%. A política de juros mais baixos influencia principalmente as operações de títulos públicos e serve como referência para as demais taxas de juros do sistema financeiro. Assim, uma nova redução na Selic busca equilibrar estímulo à economia com o controle inflacionário, um desafio constante diante do cenário externo e interno atual.


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