Um relatório divulgado por ONU Mulheres, TheNerve e parceiros aponta que 12% das mulheres que atuam na defesa de direitos humanos, no jornalismo, na mídia ou em outras ações de comunicação relataram experiências de compartilhamento não consentido de imagens pessoais, incluindo conteúdos íntimos ou sexuais. A pesquisa, intitulada Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA, revela ainda que 6% dessas mulheres foram vítimas de deepfakes, enquanto cerca de 33% receberam investidas sexuais não solicitadas via mensagens digitais.
Segundo o documento, 41% das entrevistadas confessaram que se autocensuram nas redes sociais para evitar abusos. Já 19% evitaram expor certos aspectos profissionais por medo de violência online. Entre jornalistas e trabalhadoras da mídia, o índice de autocensura nas redes atingiu 45% em 2025, representando um aumento de 50% desde 2020. Além disso, quase 22% dessas profissionais relataram restrições no ambiente de trabalho devido à violência digital.
Os autores do estudo explicam que esses ataques são frequentemente coordenados de modo a silenciar mulheres na esfera pública, prejudicando sua credibilidade e reputação pessoal. Observa-se também uma crescente mobilização para denunciar incidentes às autoridades, com 22% das jornalistas e comunicadoras considerando a denúncia formal em 2025, o que representa o dobro do índice de cinco anos atrás. Além disso, 14% estão acionando medidas legais contra quem promove ou facilita esses crimes, um aumento em relação aos 8% registrados em 2020.
O impacto da violência na saúde das mulheres é outro ponto destacado no relatório. Quase 25% das profissionais de mídia relataram ter sido diagnosticadas com ansiedade ou depressão relacionadas às agressões virtuais, enquanto aproximadamente 13% indicaram sofrer de transtorno de estresse pós-traumático.
A responsável pela Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres na ONU Mulheres, Kalliopi Mingerou, destacou que a inteligência artificial tem facilitado e potencializado esses abusos. Ela ressaltou a necessidade de que leis, sistemas e plataformas digitais atuem com urgência para combater a proliferação da violência online e proteger os direitos das mulheres. O relatório também evidencia que a legislação de proteção ainda apresenta lacunas em escala global. Dados do Banco Mundial apontam que menos de 40% dos países possuem leis eficazes contra o assédio ou perseguição virtual, deixando cerca de 1,8 bilhão de mulheres e meninas sem defesa jurídica, o que representa 44% da população feminina mundial.
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