maio 5, 2026
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05/05/2026

Mudanças no Segurança Presente: expansão política é substituída por critérios criminais, afirma governo

O programa de segurança comunitária “Segurança Presente” passa por reestruturação, após uma auditoria interna e a transferência de sua administração para a Polícia Militar. Documentos oficiais revelam que a implantação de novas bases na sua fase de expansão foi direcionada, em parte, por indicações políticas de parlamentares. Em resposta, o governador em exercício determinou que a expansão seja baseada exclusivamente em mapas de incidência criminal, afastando critérios políticos na definição dos locais de instalação. A gestão do projeto enfatiza que a mudança não resultará em cortes, mas buscará aumentar a eficiência operacional.

Até o momento, o Estado tinha projetado a instalação de 28 novas bases até o final do ano, elevando o total do programa para 92 pontos de atuação em todo o território, com um orçamento de R$ 385 milhões. Parte dessas unidades seria criada por meio de um convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), no valor de R$ 20 milhões, vinculada ao deputado estadual Anderson Moraes, na época secretário de Ciência e Tecnologia.

Segundo documentos oficiais, cada uma das futuras bases era associada a nomes de parlamentares. Anderson Moraes, por exemplo, é mencionado ao lado de locais como Belford Roxo, Barra Olímpica, Vila Valqueire e Cabo Frio. A única estrutura já inaugurada na lista foi a instalada na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, em cerimônia realizada em março deste ano, com participação do deputado.

Além dele, outros políticos também manifestaram pedidos de instalação de bases do programa. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas, solicitou uma unidade em Alcântara, São Gonçalo, e outros deputados indicaram regiões como Realengo, Glória, Catete, Maracanã e Casimiro de Abreu, justificando os pleitos com demandas de seus eleitorados.

Representantes políticos afirmaram que suas solicitações visam atender às necessidades da população, sem relação com interesses pessoais ou políticos. Moraes reforçou que suas ações foram respostas às demandas recebidas da comunidade, negando qualquer envolvimento político na indicação de bases.

A mudança na administração do “Segurança Presente” ocorre em um contexto de investigações que apontam o uso do programa em estratégias de apadrinhamento político. Durante as investigações da Polícia Federal, foi identificada uma planilha com pedidos de instalação relacionados a deputados, além de informações sobre a gestão anterior do controle do programa, vinculada ao então secretário André Moura, indicato por Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa.

O programa, originalmente voltado à segurança de espaços públicos, foi ampliado sob influência de interesses políticos, com uma forte presença de figuras de segmentos partidários. O seu novo funcionamento será conduzido pela Diretoria-Geral de Programas da Polícia Militar, sob supervisão da Secretaria Estadual de Segurança Pública, que deverá estabelecer critérios de avaliação de desempenho e eficiência do serviço prestado.

A transição também contempla uma avaliação mais técnica do projeto. Especialistas na área de segurança advertem que a gestão sob a proteção da Polícia Militar pode favorecer uma administração mais focada em resultados, com controle centralizado em indicadores e planejamento, além de promover maior profissionalização. No entanto, reforçam que a sociedade deve acompanhar e cobrar o cumprimento da missão constitucional do policiamento ostensivo, tendo em vista a importância de resultados concretos na segurança pública.


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