maio 5, 2026
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05/05/2026

Polícia Federal apreende Porsche e prende deputado Thiago Rangel em operação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Federal apreendeu um veículo de luxo, um Porsche preto, que, de acordo com a corporação, teria sido adquirido recentemente pelo deputado estadual Thiago Rangel (Avante). Na manhã desta terça-feira (5), Rangel foi detido durante uma operação no Rio de Janeiro, relacionada a uma fase da investigação conhecida como Operação Unha e Carne.

A defesa do deputado afirmou desconhecer a apreensão do carro e a origem do veículo. A investigação indica que Rangel estaria envolvido em uma rede de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. Os trabalhos avançaram após perícia em um computador ligado ao gabinete do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.

Segundo a Polícia Federal, há uma organização criminosa relacionada a contratos públicos na qual Rangel estaria atuando. De acordo com os investigadores, o grupo teria manipulado procedimentos de compra de bens e serviços na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, cidade considerada base política do deputado.

A apuração demonstra que o grupo liderado por Rangel teria cometido fraudes em processos de aquisição pelo órgão legislativo municipal. Além disso, há indícios de que recursos desviados tenham sido utilizados para beneficiar uma organização criminosa instalada em órgãos municipais, com o dinheiro tendo sido lavado em postos de combustíveis administrados pelo investigado.

A Polícia Federal também aponta que o esquema teria utilizado terceiros, conhecidos como “laranjas” ou “testas de ferro”, para esconder a origem dos valores desviados. Recursos públicos da Empresa Pública de Habitação de Campos teriam sido alvo de desvio entre 2021 e 2022.

Relatos de conversas interceptadas indicam ameaças violentas contra adversários políticos, um elemento considerado para reforçar a gravidade das ações do grupo. Com base nesses elementos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão preventiva de sete pessoas e também determinou buscas na residência do deputado, além do afastamento de Rangel de suas funções públicas.

A defesa de Rangel declarou surpresa com a operação e afirmou que ainda está conhecendo os detalhes do caso. Os advogados garantiram que o parlamentar nega qualquer irregularidade e está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos, ressaltando que qualquer conclusão prematura antes da análise completa dos elementos processuais seria inadequada.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) colocou-se à disposição para colaborar com as investigações. A Secretaria de Estado de Educação, por sua vez, informou que realiza uma revisão administrativa dos procedimentos relacionados a obras de manutenção nas unidades escolares, adotando limites financeiros para obras de menor porte, com intervenções mais complexas sendo transferidas para a Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro (Emop-RJ). A pasta também disse que mantém cooperação com órgãos de controle e o Ministério Público.


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