maio 5, 2026
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05/05/2026

Restauro inédito dos vitrais da Igreja da Candelária completa 127 anos após remoção completa

A Igreja da Candelária, localizada no centro do Rio de Janeiro, está passando por uma intervenção inédita de restauração em seus vitrais, que permanecem intactos há mais de 120 anos. Esta é a primeira vez desde a instalação, em 1899, que os painéis de vidro e chumbo são completamente removidos para receberem uma manutenção especializada.

A ação visa conservar um dos principais conjuntos artísticos do patrimônio religioso e cultural da cidade. Além da recuperação das peças, o projeto contempla medidas de proteção contra umidade, reforço na estrutura dos vidros e capacitação de profissionais na área de conservação. O esforço é avaliado e autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realizado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e apoiado pela Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária (ISSC). Financiam o projeto recursos da Fundação Gerda Henkel, da Alemanha, e do programa internacional Funding Initiative Patrimonies, com aporte de aproximadamente R$ 1,6 milhão.

A intervenção envolve três vitrais, incluindo o principal, localizado na área central da igreja, que representa Nossa Senhora da Candelária com o Menino Jesus. Os demais simbolizam anjos anunciadores. Para o procedimento, foram removidos com cuidado 117 painéis — 39 em cada vitral — permitindo análise detalhada dos danos acumulados ao longo de mais de um século, relacionados à ação do tempo, poluição e episódios de vandalismo.

Para assegurar a fidelidade às características originais, o projeto prevê a importação de vidros coloridos especiais da Alemanha, semelhantes aos utilizados no século XIX. Além disso, oRestauro inclui o uso de pigmentos esmaltados, tintas à base de prata, reconstrução das cores originais, instalação de vidraças de proteção, telas metálicas, recuperação da rede de chumbo e tratamento de trincas, lacunas e pinturas fragilizadas. A técnica adotada para proteger os vitrais segue padrões prevalentes na Europa para conservação de patrimônios históricos.

Outro aspecto relevante do trabalho é a instalação de um sistema de ventilação isotérmico, que visa reduzir a umidade interna das peças, problema que pode provocar condensação e comprometer os vidros pintados. A previsão é que a restauração seja concluída até o segundo semestre de 2026.

O projeto também engloba ações de formação profissional, oferecendo curso técnico em técnicas de restauro de vitrais a profissionais de conservação, com a participação de representantes do Iphan. Essa iniciativa visa ampliar o conhecimento técnico na área e garantir a continuidade de ações futuras de preservação.

Os vitrais foram criados na década de 1890 por João Zeferino da Costa, com colaboração de Henrique Bernardelli, e produzidos na Alemanha pelo Real Estabelecimento de Vidraças Artísticas de F. X. Zettler. As obras estão tombadas pelo Iphan desde 1938, sendo consideradas marcos do patrimônio arquitetônico e artístico do centro do Rio. Os registros originais, incluindo desenhos feitos pelos próprios artistas, continuam a orientar os procedimentos de restauração.

Segundo especialistas, a intervenção é fundamental para garantir a durabilidade das obras diante de ameaças ambientais e de vandalismo ao longo do tempo. A iniciativa também prevê eventos e publicações para divulgar o processo, incluindo seminário internacional, exposição pública e lançamento de um livro especial, além de atividades educativas com estudantes locais.

O esforço de restauração na Igreja da Candelária reforça a importância de preservar o patrimônio cultural em uma área de intensa circulação urbana, memória religiosa e expressão artística, diante da necessidade de garantir sua preservação para as futuras gerações.


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