Ministro do STF determina investigação sobre uso de emendas parlamentares por ONGs relacionadas à produtora de filme sobre Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a abertura de uma apuração sigilosa para investigar o destino de recursos enviados por alguns deputados federais por meio de emendas parlamentares. A investigação visa apurar possíveis irregularidades na destinação de verbas públicas a organizações não governamentais (ONGs) vinculadas à produtora responsável por um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação surgiu a partir de denúncias feitas por parlamentares, que questionaram o envio de recursos públicos às ONGs Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, ambas integrantes de um mesmo conglomerado. Essas entidades possuem ligações com a produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do longa-metragem “Dark Horse”, ainda inédito, que narra a história de Bolsonaro.
No mês de abril, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) solicitou ao Supremo providências quanto ao uso das emendas, apontando potencial desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público. Em sequência, o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) também apresentou denúncia sobre o caso.
De acordo com informações coletadas, os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Mário Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-SP) encaminharam recursos para as ONGs. Pollon e Bia Kicis negaram que os recursos tenham sido enviados diretamente à produtora do filme. Já Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões em 2024 e 2025 ao Instituto Conhecer Brasil, não foi localizado por oficiais de Justiça para prestar esclarecimentos.
O ministro Flávio Dino determinou a notificação dos deputados para que apresentem esclarecimentos sobre a utilização das emendas. Além disso, solicitou à Câmara dos Deputados que informe os endereços residenciais dos deputados em São Paulo e Brasília. Quanto ao caso de Frias, o parlamentar também será convocado para prestar depoimento, já que não foi encontrado.
Recentemente, veio à tona uma conversa divulgada pelo site The Intercept na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos financeiros a um banqueiro para a realização das gravações do filme sobre sua vida política. Bolsonaro negou qualquer vantagem indevida, afirmando que os valores eram de origem privada. A apuração do Supremo continuará acompanhando o caso.
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