O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, divulgou nesta sexta-feira (15) um vídeo defendendo-se das acusações feitas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga um esquema de fraudes tributárias, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o Grupo Refit. Castro afirmou que sua gestão foi conduzida de forma íntegra e que confia na legalidade de suas ações enquanto esteve à frente do governo estadual.
Na gravação, o ex-governador contestou as suspeitas e a interpretação da Polícia Federal, que o relaciona ao esquema citado na investigação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, Castro teria participado de medidas administrativas que beneficiaram o empresário Ricardo Magro, considerado figura central no esquema. O empresário foi detido por mandado de prisão, enquanto os locais de Castro foram alvo de buscas e apreensões.
Castro questionou a linha de investigação, afirmando que há “algo estranho” na forma como a PF interpretou sua participação. Ele também informou que seus advogados vão enviar ao STF um memorial para contestar alegações que chamou de “ilações irresponsáveis”.
Ele destacou, ainda, uma política fiscal adotada pelo Estado para cobrar dívidas da Refit, que, segundo ele, é única no país. Castro alegou que o Rio de Janeiro conseguiu recuperar mais de R$ 1 bilhão por meio de acordos com a empresa, questionando quem estaria beneficiando devedores ao mesmo tempo em que cobram dívidas.
Sobre uma reunião com o empresário ocorrida nos Estados Unidos, Castro negou qualquer ilicitude. Ele afirmou que o encontro ocorreu durante um fórum promovido pela revista Veja, com a participação de diversas autoridades brasileiras, incluindo o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e que sua presença foi legítima e regular.
Na defesa, Castro também refutou as suspeitas envolvendo a aprovação de normas fiscais alegando que elas seguiram recomendações do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e foram aprovadas por todos os estados. Além disso, afirmou que a Refit não aderiu ao programa mencionado na investigação.
Quanto às operações relacionadas à refinaria, o ex-governador declarou que não houve irregularidades nas ações envolvendo órgãos ambientais e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), considerando-as procedimentos administrativos comuns.
Ao comentar o andamento da investigação, Castro sugeriu que há motivação política por trás da operação. Ele afirmou confiar na Justiça e lamentou o uso de tais procedimentos em períodos eleitorais, considerando-os uma prática triste.
A Operação Sem Refino continua em curso, buscando apurar um esquema que, de acordo com a Polícia Federal, teria causado prejuízos bilionários ao erário público por meio de fraudes no setor de combustíveis.
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