junho 24, 2026
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24/06/2026

Gás natural ralliga preço no Rio de Janeiro após acordo com Petrobras e Naturgy

O governo do Rio de Janeiro anunciou a assinatura de um acordo com a Petrobras e a concessionária Naturgy para reduzir em aproximadamente 6,5% o valor do gás natural veicular (GNV). A medida também implica cortes nos preços do gás usado no abastecimento residencial e no setor industrial, em percentuais menores. A análise e a homologação da nova tarifa dependem da avaliação da Agenersa, que deve aprovar os parâmetros tarifários antes da implementação oficial.

Segundo estimativas do governo estadual, a redução para o gás industrial deve atingir cerca de 6%, enquanto o gás de cozinha, utilizado em residências, poderá ter uma diminuição de até 2,5%. Após a homologação, o ajuste será publicado no Diário Oficial do Estado. A Secretaria de Energia e Economia do Mar, responsável por intermediar o processo, reforça que a alteração constitui uma política pública com o objetivo de reorganizar os preços do insumo no estado.

O Rio de Janeiro responde por mais de 76% da produção nacional de gás natural, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Tal destaque mostra a relevância da cadeia de energia localizada no território fluminense, que mantém uma posição estratégica no mercado interno, especialmente em um contexto global de alta dos preços de derivados de petróleo.

Esse cenário de valorização internacional é atribuído à escalada do conflito no Oriente Médio, sobretudo após o envolvimento do Irã, que tem prejudicado a navegação no Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte de petróleo e gás. Como resultado, o petróleo tipo Brent teve um aumento superior a 40% em poucas semanas, impactando os preços de commodities globais e refletindo, principalmente, no valor do diesel no Brasil.

Apesar do aumento no mercado externo, o preço do GNV permaneceu relativamente estável, chegando a uma queda de 1,24% em abril, conforme dados do IPCA divulgados pelo IBGE. Enquanto a gasolina apresentou alta de 1,86% no mesmo período, especialistas explicam que a menor dependência de importações ajuda a sustentar o preço do gás natural veicular.

A ampliação da produção de gás natural é uma estratégia prioritária da Petrobras, que acredita que o aumento na oferta pode gerar um efeito de redução de preços a longo prazo. Desde a mudança na gestão, em 2024, a produção diária da estatal cresceu de cerca de 29 milhões para aproximadamente 50 a 52 milhões de metros cúbicos, exercendo pressão baixista sobre os valores no mercado doméstico.

Além disso, a Petrobras relaciona o preço do gás natural à retomada de investimentos no segmento de fertilizantes, especialmente na unidade de Camaçari, na Bahia, cujo reativamento foi viabilizado por custos de insumo mais acessíveis. A fertilizante mais utilizado na agricultura, a ureia, tem como base o gás natural, e a estatal atualmente opera três unidades no país (Sergipe, Bahia e Paraná), atendendo cerca de 20% da demanda nacional.

A companhia também está em fase de conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS), prevista para entrar em operação até 2029. Com esse projeto, a Petrobras pretende ampliar sua participação de mercado de ureia para 35%, em um cenário onde o Brasil ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura.


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