agosto 7, 2026
agosto 7, 2026
07/08/2026

Uso da inteligência artificial nas eleições de 2023 preocupa Justiça Eleitoral e especialistas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá aprofundar sua atenção ao impacto da inteligência artificial na campanha eleitoral deste ano, considerando os riscos de disseminação de notícias falsas em um cenário de polarização política acentuada. Essa preocupação é reforçada por especialistas, que alertam para a circulação crescente de conteúdo manipulado e desinformação, potencializada pelo uso dessa tecnologia.

A adaptação da Justiça Eleitoral às novas formas de manipulação digital é vista como fundamental para prevenir distorções na votação. Assim como ocorre com o doping esportivo, especialistas destacam que a tecnologia utilizada na manipulação eleitoral pode evoluir rapidamente, exigindo respostas dinâmicas e técnicas contínuas de fiscalização. O advogado especializado em Direito Eleitoral, Jonatas Moreth, comparou o processo ao combate a práticas ilícitas no esporte, enfatizando a necessidade de inovação constante dos mecanismos de controle. Segundo ele, o aperfeiçoamento contínuo dos métodos de manipulação requer uma atuação vigilante e atualizada por parte da Justiça.

O atual desafio para o órgão eleitoral é a necessidade de ampliar a capacitação técnica de seus quadros, considerando que a complexidade do uso da inteligência artificial na manipulação de conteúdos e intenções de voto pode superar as capacidades existentes. O ministro Nunes Marques, à frente do tribunal, colocou como prioridade enfrentar os efeitos nocivos dessa tecnologia durante o período eleitoral, buscando fortalecer a prevenção de ações fraudulentas.

Paralelamente, a intenção do presidente do TSE é promover o diálogo e garantir o direito de resposta de todos os envolvidos no processo eleitoral. Essa iniciativa visa fortalecer a unidade entre os tribunais regionais e o tribunal superior, buscando uma atuação coordenada e consistente. A definição do modelo de atuação – mais interventivo ou mais liberal – também está em discussão, com preocupações sobre o uso da liberdade de expressão frente à possibilidade de difusão de mentiras e discursos de ódio. O especialista Marcus Ianoni ressaltou que limites legais devem ser seguidos, mesmo em debates considerados legítimos, para evitar abusos que possam prejudicar o processo.

Sobre as pesquisas eleitorais, há uma preocupação com a fiscalização das regras de divulgação e com o combate a registros clandestinos que possam influenciar a opinião pública. Embora a legislação contemple requisitos para a validação dessas pesquisas, especialistas indicam que a fiscalização ainda carece de maior rigor e controle. A atuação do tribunal nesse aspecto é vista como fundamental para assegurar a transparência e a confiabilidade dos resultados, especialmente diante do crescimento de fraudes e manipulações na veiculação de dados eleitorais.


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