Título: Pais denunciam maus-tratos e condições precárias em creche de São Gonçalo
Um grupo de pais de crianças atendidas na Creche Cantinho do Céu, localizada no bairro Pacheco, São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, começou a denunciar abusos físicos, negligência e condições inadequadas na unidade. As reivindicações ganharam força após a circulação de vídeos, áudios e relatos que indicam maus-tratos, suspeitas de humilhações e a ausência de estrutura adequada para o cuidado infantil.
Segundo as mães, o medo e comportamentos alterados começaram a surgir em seus filhos após a inscrição na creche. Relatos de agressões físicas, como tapas na cabeça, puxões de cabelo e uso de castigos corporais, têm sido compartilhados pelos responsáveis, que também denunciam episódios de negligência, incluindo crianças sendo colocadas de castigo de forma frequente. Algumas mães relataram que os filhos chegaram em casa com marcas no corpo e comportamentos de medo ou apatia, que inicialmente passaram despercebidos.
Diversas testemunhas relataram presenciar situações chocantes dentro da creche, incluindo menores sendo punidos com tapas e puxões de cabelo. Um relato destacou uma criança sendo agredida na cabeça com uma chinela, além de outra criança sendo puxada pelos cabelos. Uma mãe também relatou que, após um dia na creche, seu filho apareceu sonolento e sem forças, comportamento atípico, e que a preocupação aumentou ao saber que outra criança usava medicação controlada.
Há, ainda, denúncias envolvendo uma criança autista, que aparece em vídeos recebidos pelos responsáveis recebendo um tapa na cabeça. Em uma outra gravação, uma criança é mostrada sendo sufocada com um travesseiro. As famílias afirmam que passaram a trocar informações após esses vídeos chegarem aos grupos de responsáveis, e uma delas destacou que o comportamento do filho mudou drasticamente após a saída de uma funcionária pela qual ele tinha forte apego.
Além das agressões, relatos de ex-funcionários apontam para a falta de infraestrutura na creche, com ausência de itens básicos como colchões de descanso, brinquedos e material de higiene, além de imóveis degradados. Testemunhas relataram que crianças dormiam sobre lençóis improvisados no chão e que até utensílios de cozinha eram lavados com sabonete líquido e shampoo devido à falta de detergente. Os relatos também indicam uma limpeza precária e uma situação de negligência que foi comunicada às responsáveis pela unidade, sem resposta satisfatória até o momento.
Diante das denúncias, os pais organizaram um protesto na porta da creche, nesta semana, reivindicando transparência e justiça pelos seus filhos. Muitos afirmam que as crianças permaneciam na creche quase o dia todo, pagando mensalidades entre R$ 400 e R$ 450, confiando na segurança do ambiente, que agora é objeto de questionamento. As responsáveis pelas funcionárias acusadas foram ouvidas na delegacia e liberadas após depoimentos, enquanto a proprietária da unidade informou que providências já foram tomadas e está sob orientação jurídica.
As autoridades apuram as ocorrências: a Polícia Civil está analisando imagens e realizando diligências, enquanto a Prefeitura de São Gonçalo declarou que a creche não possui convênio com a administração municipal e que irá acionar o Conselho Municipal de Educação para ações cabíveis. A regularidade do funcionamento da instituição ainda não foi esclarecida pelas autoridades.
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